Pequeno estabelecimento nasceu da necessidade de mudar de profissão e se tornou um dos comércios tradicionais do bairro, mantendo uma relação próxima com os moradores
O comércio de bairro carrega histórias que vão muito além da venda de produtos. Na Queimadinha, em Feira de Santana, o Mercadinho de Ezequiel Gil de Souza, conhecido como Souza do Mercadinho, é um exemplo dessa relação construída ao longo de décadas. Há cerca de 30 anos no ramo, ele acompanhou as transformações da comunidade e também fez do estabelecimento uma forma de sustento para a família.
A história de Souza no comércio, porém, começou de maneira diferente. Antes de abrir o próprio negócio, ele trabalhava na construção civil. Problemas de saúde fizeram com que precisasse mudar de atividade e buscar uma nova maneira de garantir o sustento.

“Minha profissão sempre foi a construção civil. Eu fazia de tudo um pouco, mas chegou um tempo em que tive problema de hérnia de disco e tive que optar por outra coisa”, contou.
Foi então que ele começou a vender frutas e outros produtos pelas ruas da região. A atividade foi crescendo aos poucos, até que Souza conseguiu estabelecer seu próprio ponto comercial.
“Comecei vendendo jaca, laranja, fui lutando, vendendo no bairro, no Jorge da Princesa, rodava a feira toda com carrinho de mão. E aí foi Deus, foi a força, os meus clientes e minha esposa”, relatou.
Antes de chegar ao endereço atual, o comerciante passou por outros pontos. Ele começou em uma barraca, depois alugou um espaço na Rua Ceará e, posteriormente, se estabeleceu na Rua Rio Grande do Norte, onde permanece até hoje.

O estabelecimento funciona como um típico comércio de bairro, oferecendo produtos básicos para atender às necessidades imediatas dos moradores. Feijão, açúcar, farinha e outros itens fazem parte do estoque.
Souza também mantém uma pequena área de terra onde cultiva alguns alimentos. Quando há produção, ele aproveita para oferecer aos próprios clientes frutas e produtos cultivados por ele.
“Eu tenho uma área de terra, planto um pouco de feijão, um pouco de milho e tenho uns pés de fruta, de pinha, de manga. Quando tem, vendo para meus clientes”, explicou.

Segundo o comerciante, a produção é pequena, mas representa uma alternativa para oferecer alimentos naturais à comunidade.
Apesar da fidelidade dos clientes, Souza afirma que o comércio de pequeno porte enfrenta dificuldades diante do crescimento de grandes mercados e atacadistas na região.
Para ele, a mudança no perfil comercial do bairro fez com que os pequenos estabelecimentos passassem a depender principalmente das compras rápidas dos moradores.

“Depois que montaram os atacadões, isso mexeu muito com o comércio pequeno. Hoje a gente vende aquele ‘pinga-pinga’: um quilo de açúcar, um quilo de farinha, um quilo de feijão, e vai juntando para sobreviver”, afirmou.
Mesmo diante das dificuldades, o comerciante destaca o apoio recebido ao longo dos anos. A relação construída com os moradores é apontada por ele como um dos principais motivos para continuar trabalhando no bairro.
“A comunidade sempre me apoiou, sempre me deu a mão. Eu agradeço a Deus por isso, à minha esposa, que sempre foi meu braço direito, e aos meus clientes, que estão aqui me ajudando”, declarou.
Morador do bairro desde a adolescência, Souza também acompanhou de perto as mudanças na infraestrutura e na dinâmica da Queimadinha. Natural de Pé de Serra, no município de Riachão do Jacuípe, ele chegou a Feira de Santana ainda jovem e construiu sua trajetória na comunidade.
Na avaliação dele, a Queimadinha avançou bastante nas últimas décadas e se tornou um lugar ainda mais acolhedor.
“Quando eu cheguei, eu não tinha nem quinze anos completos. Hoje melhorou muitas coisas. O bairro mudou muito para melhor”, destacou.

Para Souza, apesar dos avanços, ainda existem demandas que precisam de atenção. Entre elas, ele cita a necessidade de maior representação política da comunidade.
“A única coisa que está precisando no bairro é um representante na Câmara, porque a gente não tem. É isso que está faltando”, afirmou.
Ao falar sobre a comunidade onde vive e trabalha há décadas, Souza reforça que o vínculo com a Queimadinha ultrapassa a relação comercial. O mercadinho se tornou parte de sua própria história e da rotina dos moradores.
“É um bairro acolhedor. Você chega com uma pessoa de fora, de outro bairro, e a gente acolhe. Hoje o bairro mudou muito, muito mesmo, para melhor”, concluiu.