Religioso franciscano diz que segunda semana de guerra ainda não tem sinais de cessar-fogo
A guerra envolvendo Israel, Irã e Estados Unidos entrou na segunda semana sem sinais concretos de cessar-fogo. A avaliação é do frade franciscano Frei Valdir Nunes Ribeiro, da Província de São Paulo, que vive em Israel há cerca de cinco anos e acompanha diariamente a situação na região.
Em entrevista ao programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM, o religioso afirmou que o clima ainda é de apreensão entre moradores e observadores do conflito.

“Estamos já nessa segunda semana e ainda não se tem nenhum sinal de um cessar-fogo. A guerra continua caminhando e seguimos com muita apreensão”, afirmou.
Um dos fatos que mais repercutem no cenário internacional é a escolha de um novo líder supremo no Irã durante o conflito. Segundo Frei Valdir, a sucessão demonstra que o país possui uma estrutura política preparada para momentos de crise.
“O que nós estamos vendo é uma certa surpresa geral com a capacidade e o potencial bélico do Irã. Já são mais de dez dias de ataques e eles continuam lançando novos mísseis”, destacou.
Ele explicou que alguns armamentos utilizados têm chamado atenção pelo nível de tecnologia.
“Há mísseis que, quando chegam ao destino, se multiplicam. Não é apenas um impacto, mas vários, o que torna a defesa muito mais complicada”, relatou.
Além da capacidade militar, o religioso ressaltou que a sucessão política no país ocorre de forma organizada.
“Eles têm toda uma estrutura preparada para uma situação assim. Se um líder sai, outro já entra. Agora assumiu alguém considerado bastante radical, com uma trajetória mais militar do que diplomática”, afirmou.
Para Frei Valdir, a chegada de um novo líder com perfil mais rígido pode tornar ainda mais difícil um acordo de paz no curto prazo.
“O pai dele era mais diplomático. Esse novo líder tem uma formação mais militar. Isso pode dificultar ainda mais o diálogo e a construção de uma paz duradoura”, avaliou.
Segundo ele, a estratégia de eliminar lideranças iranianas, defendida por Israel e pelos Estados Unidos, pode não produzir o efeito esperado.
“Desde o início o objetivo era eliminar líderes para provocar uma mudança. Mas parece que não é tão simples. Se um líder sai, outro surge e às vezes ainda mais forte”, explicou.
Mesmo após mais de uma semana de guerra, os ataques continuam sendo registrados. Frei Valdir relatou que novos alertas de sirenes ainda ocorrem ao longo do dia.
“Hoje mesmo já tivemos o terceiro ou quarto alarme de ataque. Ainda chegam mísseis vindos de lá. É um momento realmente de apreensão”, disse.
Apesar do cenário tenso, o religioso mantém a esperança de que o conflito possa caminhar para negociações.
“Esperamos que essa nova liderança também tenha bom senso e que se encontre um caminho de diálogo para chegar a um acordo de paz”, concluiu.