Empresa vencedora ainda passará por prova de conceito em Feira de Santana antes da assinatura do contrato; Prefeitura estima início da operação em até 90 dias.
A Prefeitura de Feira de Santana realiza nesta terça-feira (4), na B3, a Bolsa do Brasil, em São Paulo, o leilão para concessão dos serviços de estacionamento rotativo público (Zona Azul). A sessão pública acontece a partir das 10h e representa uma das últimas etapas do processo licitatório para implantação do sistema no município.
Apesar da realização do leilão, o superintendente municipal de Trânsito, Ricardo Cunha, explica que a empresa vencedora ainda precisará passar por uma fase decisiva antes da assinatura do contrato.
"Amanhã não termina a parte de disputa. O que será avaliado agora é a capacidade técnica da empresa através de uma prova de conceito, que será feita nos próximos dias em Feira de Santana."
Segundo ele, o evento na B3 tem caráter protocolar e marca apenas mais uma etapa da concessão.
"Vai haver a assinatura, a tradicional batida do martelo na B3 e, após isso, a empresa será chamada para a prova de conceito e, posteriormente, para sua instalação em Feira de Santana."
Mesmo após vencer o leilão, a concessionária ainda terá que demonstrar, na prática, que possui condições de executar todos os serviços previstos no edital.
Ricardo explica que a documentação técnica já foi analisada, mas agora será feita uma avaliação operacional.
"A empresa foi aprovada na fase técnica documental. Agora vai provar na prática que é capaz de trazer tudo o que promete para Feira de Santana."
A expectativa é que essa etapa seja concluída em cerca de 15 dias. Somente depois ocorrerão a homologação do resultado, a assinatura do contrato e a autorização para início da operação.
A previsão da Superintendência Municipal de Trânsito é que os primeiros pontos da Zona Azul comecem a funcionar dentro de aproximadamente 90 dias.
"Acredito que, para as festas de dezembro, já teremos a operação em vários pontos da cidade."
Embora o cronograma contratual preveja implantação gradual das vagas, Ricardo Cunha afirma que a intenção da Prefeitura é antecipar esse calendário.
"Quero fazer tudo o que está previsto para dois anos nos próximos seis meses."
O projeto prevê inicialmente cerca de 6,4 mil vagas de estacionamento rotativo, concentradas na região central de Feira de Santana. Entretanto, o superintendente afirma que o planejamento será ajustado para alcançar outros bairros.
"Começaremos pelo centro da cidade, mas queremos levar a Zona Azul para bairros como Tomba, Cidade Nova e região do Papagaio."
Segundo ele, conforme a demanda por estacionamento aumentar, o sistema poderá praticamente dobrar de tamanho.
"Onde houver necessidade de vagas, levaremos a Zona Azul. Em pouco tempo acredito que já teremos quase o dobro dessas vagas."
De acordo com Ricardo, o principal objetivo da concessão não é arrecadar recursos, mas melhorar a mobilidade urbana e facilitar o acesso ao comércio.
"Estamos muito pouco preocupados com o retorno financeiro. O que nos preocupa é melhorar a mobilidade em Feira de Santana."
Ele destaca que a permanência máxima de duas horas nas vagas incentivará maior circulação de veículos.
"Você tem um rodízio maior de vagas. Muitas pessoas deixam de ir ao comércio porque não encontram estacionamento. Com a Zona Azul, elas terão a certeza de que encontrarão uma vaga."
Na avaliação do gestor, a medida também deverá estimular mudanças nos hábitos de deslocamento da população.
"A proposta é desestimular o uso do veículo em algumas situações e incentivar outras formas de deslocamento, como transporte público e compartilhamento de carros."
Questionado sobre críticas relacionadas ao limite de duas horas nas vagas, Ricardo Cunha afirmou que o assunto está encerrado e não deverá sofrer alterações.
"Não tem mais espaço para discussão. Quando li os estudos técnicos, apoiei as razões. A intenção é fazer com que as pessoas desistam de utilizar o carro em alguns momentos."
A concessão terá prazo inicial de dez anos, com possibilidade de prorrogação por mais dez, totalizando 20 anos. Ao longo desse período, estão previstos investimentos e custos operacionais estimados em R$ 134,7 milhões destinados à implantação da infraestrutura, sinalização, equipamentos, plataformas digitais, fiscalização eletrônica e sistemas tecnológicos de gestão.
O leilão será conduzido pela B3 e utilizará como critério de julgamento a combinação entre a maior oferta pela outorga variável da concessão e a melhor proposta técnica apresentada pelas empresas participantes.
Para Ricardo, a implantação da Zona Azul integra um conjunto de projetos voltados à modernização da mobilidade urbana de Feira de Santana.
"Agora que colocamos a casa em ordem, vamos dar o pontapé inicial em três grandes movimentos que vão fazer diferença em nível Brasil e colocar Feira de Santana em destaque."