Pré-natal bem feito pode reduzir riscos e complicações do parto antes das 37 semanas, explica especialista.
A prematuridade, caracterizada pelo nascimento do bebê antes de 37 semanas de gestação, é um problema comum e preocupante no Brasil. O alerta foi feito pela ultrassonografista Dra. Larissa Matos, durante entrevista ao Jornal do Meio Dia, ao destacar dados, causas, impactos e formas de prevenção dessa condição que pode trazer consequências para toda a vida.
Segundo a especialista, o bebê só é considerado totalmente pronto para nascer a partir de 37 semanas.
“Quando nasce antes disso, ele ainda é prematuro, e quanto mais cedo esse nascimento acontece, maiores são os riscos e as complicações”, explicou.

Dra. Larissa ressaltou que a prematuridade é mais frequente do que muitos imaginam. “Nasce no Brasil cerca de 900 bebês prematuros por dia. Isso significa quase 30 mil em apenas um mês”, pontuou.
Além dos impactos na saúde da criança e da família, a prematuridade também representa um alto custo para o sistema público de saúde. De acordo com a ultrassonografista, o valor varia conforme a idade gestacional e a necessidade de cuidados.
“Um dia de UTI neonatal no Brasil custa em torno de três mil reais. E a prematuridade não termina na maternidade”, destacou. Ela explicou que, mesmo após a alta hospitalar, muitos bebês precisam de acompanhamento contínuo.
“Essas crianças geralmente necessitam de fisioterapia, fonoaudiologia, acompanhamento neurológico, oftalmológico e terapia ocupacional, porque precisam desenvolver fora da barriga o que não conseguiram desenvolver dentro do útero”, completou.
Ao falar sobre as principais causas da prematuridade, Dra. Larissa explicou que não existe um único fator responsável. “A prematuridade é multifatorial”, afirmou.
Entre os fatores mais comuns estão infecções maternas, especialmente infecção urinária, além de doenças como diabetes gestacional e hipertensão. Alterações na placenta, gemelaridade e colo do útero curto também estão entre as causas frequentes.
“A depender da quantidade de fetos e do número de placentas, a gemelaridade aumenta muito o risco de parto prematuro”, explicou.
A ultrassonografista destacou ainda a forte relação entre hipertensão gestacional e prematuridade.
“Muitas vezes, a forma de salvar a mãe — que já apresenta sinais de pré-eclâmpsia ou eclâmpsia — é interromper a gestação precocemente. Isso acaba levando ao parto prematuro, mas salva vidas”, explicou.
Apesar dos números preocupantes, Dra. Larissa reforça que é possível reduzir significativamente os casos de prematuridade com um pré-natal bem feito.
“A medicina avançou muito. Hoje temos formas de prevenção da pré-eclâmpsia e de identificar problemas como colo curto ao longo da gestação”, afirmou.
Ela explicou que a medicina fetal e a ultrassonografia têm papel fundamental nesse processo, especialmente no primeiro trimestre.
“No morfológico do primeiro trimestre, além de avaliar a anatomia do bebê, conseguimos identificar o risco de a mãe desenvolver pré-eclâmpsia”, disse.
Segundo a especialista, o uso preventivo do ácido acetilsalicílico (AAS infantil), iniciado antes da 16ª semana, pode reduzir os riscos.
“O uso do AAS até a 36ª semana ajuda a reduzir a pré-eclâmpsia e, consequentemente, a prematuridade”, explicou.
A prematuridade pode trazer consequências que vão além da infância. “O bebê pode sair da UTI, sobreviver — o que é maravilhoso —, mas ainda assim ter comprometimentos”, alertou.
Entre as possíveis sequelas estão dificuldades respiratórias, atraso de linguagem, déficit cognitivo e dificuldades de aprendizado.
“Na escola, essas crianças podem sofrer mais, ter atraso no desenvolvimento e na aprendizagem”, disse.
Há também impactos na vida adulta. “Existem estudos que associam a prematuridade a um maior risco de doenças cardiovasculares e até diabetes na vida adulta”, completou.
Dra. Larissa deixou um recado às gestantes. “Façam o pré-natal, não faltem às consultas e não deixem de fazer os exames. Eles são lindos porque mostram o bebê, mas são muito mais do que isso: eles mudam a vida da família inteira”, enfatizou.
Ela concluiu reforçando que o diagnóstico precoce faz toda a diferença. “Com um pré-natal bem feito, a gente consegue rastrear, detectar e tratar precocemente, reduzindo riscos e protegendo a mãe e o bebê”.