Carlos Lopes era considerado foragido desde novembro e se apresentou à Polícia Federal em Brasília; entidade é apontada como uma das principais envolvidas no esquema investigado
O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi preso pela Polícia Federal na noite desta quarta-feira (12), em Brasília. A prisão faz parte da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de cobranças irregulares aplicadas sobre benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Lopes estava sendo procurado desde novembro do ano passado, quando foi alvo de um mandado de prisão. Na ocasião, os agentes não conseguiram localizá-lo. Nesta quarta, ele decidiu se apresentar espontaneamente na Superintendência Regional da PF na capital federal. Depois dos procedimentos legais, deverá ser levado para o sistema prisional.
A investigação coloca a Conafer entre as entidades que teriam desempenhado papel relevante no esquema. Conforme os investigadores, a organização teria utilizado filiações que não foram autorizadas pelos beneficiários para viabilizar descontos mensais diretamente nos pagamentos do INSS.
A apuração da Polícia Federal identificou casos de aposentados e pensionistas que tiveram valores retirados de seus benefícios sob a alegação de que eram associados a determinadas entidades. Muitos, segundo os investigadores, não reconheceriam essas filiações nem teriam permitido os descontos.
O caso começou a ser analisado em 2023, depois que a Controladoria-Geral da União (CGU) encontrou sinais de irregularidades. Com o avanço das suspeitas de crimes, a Polícia Federal assumiu a investigação no ano seguinte.
As estimativas levantadas no curso da operação apontam que o volume de descontos considerados indevidos pode chegar a R$ 6,3 bilhões.
No mês passado, a Polícia Federal encerrou a primeira etapa da investigação e indiciou 48 pessoas. Entre os investigados estão o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do instituto Virgílio de Oliveira Filho, o ex-diretor de Benefícios André Fidelis e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca.
Carlos Lopes também foi incluído no relatório final. De acordo com a PF, a Conafer foi o principal alvo dessa fase da operação.
O dirigente é apontado no pedido de indiciamento por suspeitas dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada. O documento foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
Quando o mandado de prisão foi cumprido inicialmente, em novembro, a Conafer afirmou que Lopes não estava foragido. A entidade declarou que ele se encontrava em viagem, em uma região de difícil acesso e com pouca comunicação, e que retornaria posteriormente.
Segundo a investigação, associações realizavam descontos diretamente nos pagamentos do INSS com base em supostas adesões dos beneficiários. A suspeita é de que parte dessas autorizações fosse inexistente, permitindo a cobrança de mensalidades sem o consentimento dos aposentados e pensionistas.
O caso ganhou grandes proporções devido ao número de beneficiários atingidos e ao valor movimentado. A investigação busca identificar a participação de entidades, dirigentes e outros envolvidos na estrutura responsável pelas cobranças.