Infectologista Melissa Falcão destaca alta capacidade de transmissão da doença e reforça importância da vacinação para evitar a circulação do vírus
O aumento de casos de sarampo no Brasil voltou a acender um alerta entre as autoridades e profissionais de saúde. A doença, considerada altamente contagiosa e potencialmente grave, pode provocar complicações sérias e até levar à morte, principalmente entre pessoas não vacinadas.
De acordo com a infectologista Melissa Falcão, o Brasil já havia recebido, no ano 2000, o certificado de eliminação do sarampo, mas a redução da cobertura vacinal contribuiu para o retorno da circulação do vírus no país.
“O sarampo é uma doença infecciosa aguda potencialmente grave porque ela pode levar à morte. É transmissível e altamente contagiosa. Quando falamos altamente contagiosa, é porque o risco de uma pessoa não vacinada, ao ter contato com a doença, se infectar é muito grande”, explicou.
Segundo a especialista, em 2018 o Brasil voltou a registrar circulação do vírus, com casos identificados em 11 estados, incluindo a Bahia. Em 2019, também houve um número significativo de registros, posteriormente controlados.
O cenário voltou a exigir atenção em 2026. Dra. Melissa explica que o aumento da circulação internacional de pessoas, especialmente durante o período da Copa do Mundo, já era considerado um fator de risco para a entrada e disseminação do vírus no país.
“Diante da Copa do Mundo, na qual muita gente viajou, inclusive para os três países-sede, que eram países que estavam com alta circulação do sarampo, era esperado esse aumento do número de casos no nosso país”, afirmou.
Segundo a infectologista, 14 casos foram confirmados no estado de São Paulo entre junho e julho. Em agosto, o número já havia chegado a 23 casos confirmados, principalmente na capital paulista.
Apesar de a Bahia não apresentar, até o momento, um cenário semelhante ao de São Paulo, a especialista chama atenção para a necessidade de manter a vacinação em dia.
“Na Bahia ainda não é uma preocupação tão grande pelo número de casos notificados aqui, mas é uma grande preocupação a partir do momento em que temos a cobertura vacinal abaixo do que deveria estar e existe uma circulação muito grande”, destacou.
Ela lembra ainda que a proximidade e o fluxo de pessoas entre os estados aumentam a possibilidade de transmissão.
O sarampo é transmitido diretamente de uma pessoa para outra por meio de secreções respiratórias, eliminadas durante a tosse, espirro, fala e até pela respiração.
“Podemos estar num ambiente sem saber que estamos correndo o risco. Como eu me previno desse risco? Me vacinando”, orientou Dra. Melissa.
Um dos principais desafios é a elevada capacidade de transmissão do vírus. Em um ambiente fechado, uma pessoa infectada pode transmitir a doença para até 18 pessoas não vacinadas, segundo a infectologista.
Além disso, a transmissão pode ocorrer antes do aparecimento dos principais sintomas.
“Essa transmissão muitas vezes acontece até quatro dias antes de começar os sintomas, como febre, manchinhas no corpo, tosse seca, vermelhidão e manchinhas brancas na boca”, explicou.
Antes da introdução da vacina, o sarampo e suas complicações, principalmente a pneumonia, estavam entre as importantes causas de morte de crianças pequenas. A vacinação mudou esse cenário, mas a doença ainda pode provocar complicações em crianças e adultos infectados.
Entre os possíveis problemas estão pneumonia e otite. A principal preocupação, segundo Dra. Melissa, é a encefalite, uma inflamação do cérebro que, embora seja menos frequente, pode apresentar risco elevado de morte.
“Não existe uma justificativa para uma doença que é imunoprevenível, ou seja, prevenida através da vacina”, ressaltou.
A infectologista reforça que a vacina não protege apenas quem recebe a dose, mas contribui para a proteção de toda a comunidade. Para que haja uma proteção coletiva efetiva contra o sarampo, é necessário alcançar uma cobertura vacinal de aproximadamente 95% da população.
“A vacina protege não apenas individualmente, mas ela protege de uma maneira coletiva também. Quando temos um grau de infecção muito alto, para que a população seja protegida é necessário que 95% esteja vacinada”, explicou.
No Sistema Único de Saúde (SUS), estão disponíveis vacinas que protegem contra o sarampo, entre elas a dupla viral, a tríplice viral e a tetraviral.
No calendário de vacinação infantil, a imunização contra o sarampo começa aos 12 meses, com uma dose de reforço aos 15 meses. Para adultos, a recomendação varia de acordo com a idade e o histórico de vacinação.
Dra. Melissa destaca que algumas pessoas não devem receber a vacina, como gestantes, crianças menores de seis meses e pessoas com determinadas condições de imunidade reduzida, incluindo pacientes em quimioterapia ou que utilizam medicamentos imunossupressores.
Por isso, a orientação é verificar a situação vacinal e procurar uma unidade de saúde para atualizar as doses indicadas.
“É importante que aproveitemos esse momento e vamos checar nosso calendário vacinal, atualizar a vacina de sarampo e também todas aquelas outras vacinas que estejam atrasadas”, finalizou.