18/08/2026
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Engasgo: casos fatais reforçam importância de prevenção e primeiros cuidados

Médico gastroenterologista explica como prevenir engasgos em crianças e adultos e orienta sobre os cuidados diante de uma obstrução das vias respiratórias.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
segunda-feira, 17 de agosto de 2026 às 14:00
Imagem de Engasgo: casos fatais reforçam importância de prevenção e primeiros cuidados

Duas mortes provocadas por engasgo chamaram a atenção para os riscos de acidentes envolvendo a obstrução das vias respiratórias em Feira de Santana e na região. Um dos casos envolveu uma criança de apenas 20 dias, encontrada sem vida após a mãe relatar que havia amamentado a filha durante a noite e, pela manhã, percebeu que ela estava rígida.

O outro caso aconteceu na noite de domingo (16), na zona rural de Conceição do Coité. Manoel Messias Silva Cerqueira, de 34 anos, morreu após se engasgar enquanto comia beiju.

Para esclarecer as principais causas e os cuidados necessários, o médico gastroenterologista e endoscopista Dr. Eric Marins explicou que o engasgo ocorre quando algum objeto ou alimento provoca uma obstrução na garganta e dificulta a passagem do ar.

“É uma sensação de obstrução, aquela sensação de que algo travou na nossa garganta, algo que obstruiu. E aí vai dar aquela sensação mesmo da falta de ar”, explicou.

Cuidados com crianças

O médico destacou que os cuidados devem ser redobrados quando se trata de bebês. Entre as orientações está evitar a superalimentação e manter a criança em posição adequada após a amamentação.

“É importante a gente tomar cuidado com a questão da alimentação. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que os pais evitem uma superalimentação”, afirmou.

De acordo com Dr. Eric, depois de alimentar o bebê, é recomendado mantê-lo em posição reta por pelo menos 30 minutos, preferencialmente acordado. Ao colocá-lo no berço, a orientação é que permaneça de barriga para cima, posição conhecida como decúbito dorsal.

O especialista também ressaltou que crianças que apresentam refluxo frequente devem ser avaliadas por um pediatra para que seja identificado o tratamento adequado.

Engasgo também é frequente entre adultos

Entre adultos e idosos, o médico apontou problemas relacionados à mastigação, próteses dentárias inadequadas e doenças do esôfago como fatores que podem favorecer episódios de obstrução.

“O principal problema em relação às unidades dentárias é a grande incidência de pessoas com má formação das unidades dentárias, que usam prótese inadequada ou que estão faltando unidades dentárias”, explicou.

Dr. Eric também chamou atenção para a necessidade de mastigar corretamente os alimentos, especialmente diante da rotina acelerada.

“Na pressa do dia a dia, as pessoas mal mastigam o alimento”, destacou.

O caso do homem que morreu após comer beiju também foi comentado pelo especialista. Segundo ele, embora alimentos mais macios não sejam normalmente associados à obstrução em pessoas saudáveis, doenças do esôfago podem dificultar a passagem do alimento.

Entre essas condições estão o megaesôfago, a esofagite e a esofagite eosinofílica. Em determinadas situações, o alimento pode retornar e alcançar as vias respiratórias, provocando uma obstrução que impede a passagem do ar.

“Uma vez na via respiratória, ele vai causar obstrução à passagem do ar”, alertou.

Casos de engasgo são rotina nos hospitais

A experiência do médico no atendimento de emergência mostra que os casos são mais comuns do que muitas pessoas imaginam. Somente durante o último fim de semana, enquanto estava de sobreaviso na equipe de endoscopia, Dr. Eric precisou retirar três corpos estranhos de pacientes diferentes.

“Eu tive que retirar três corpos estranhos: duas espinhas de peixe e uma dentadura, de três pessoas diferentes nesse fim de semana”, relatou.

Segundo o especialista, a retirada de corpos estranhos é uma ocorrência frequente no Hospital Geral Clériston Andrade, onde integra a equipe de endoscopia.

“É rotineiro. Todos os dias nós temos casos de corpo estranho impactado. Espinha de peixe e dentadura são os mais comuns”, afirmou.

Além desses objetos, o médico contou já ter retirado do esôfago de pacientes objetos incomuns, como agulha de costura, haste de pirulito, escova de dente e colher.

Dr. Eric também destacou a ocorrência de ingestão de objetos por pacientes psiquiátricos, o que exige atenção especial das equipes de saúde.

Prevenção é fundamental

Diante da frequência dos casos, o médico defendeu investimentos em ações de saúde voltadas à prevenção, principalmente para melhorar a capacidade de mastigação e estimular hábitos alimentares mais seguros.

“Precisamos investir em uma política de saúde para melhorar essa capacidade de mastigação, precisamos estimular as pessoas a seguir os bons hábitos, fracionamento de dieta, boa mastigação”, afirmou.

Os dois casos com mortes registrados recentemente reforçam a importância de ampliar o conhecimento da população sobre os riscos do engasgo. Para o especialista, informação e prevenção podem ajudar a evitar que situações aparentemente simples evoluam para consequências graves ou fatais.

“Temos que estar de olhos abertos mesmo”, concluiu o médico.

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