Vinícius Oliveira destaca evolução dos tratamentos e alerta contra mitos sobre o uso de tecnologias na fisioterapia neurológica
A fisioterapia continua tendo na terapia manual e no uso das mãos uma de suas principais bases, mas, segundo o fisioterapeuta Vinícius Oliveira, da Reabserv, isso não significa que a tecnologia não tenha mudado completamente a forma de reabilitar pacientes neurológicos.
“A base da fisioterapia são procedimentos não invasivos, muito uso da utilização da mão… o fisioterapeuta sem as mãos fica sem uma ferramenta de trabalho”, explica. Ele destaca que técnicas como alongamento, fortalecimento e manipulação fazem parte da formação desde a graduação. “A gente tem matéria na faculdade para aprender a tocar, porque o toque do fisioterapeuta é diferente de outro profissional.”
Apesar disso, Vinícius reforça que a terapia manual, sozinha, nem sempre é suficiente.
“Em alguns casos, somente a terapia manual não consegue solucionar a demanda que o paciente traz.”
O fisioterapeuta relembra que, ao longo da carreira iniciada em 2009, percebeu limitações na evolução de alguns pacientes, o que o levou a buscar formação em outros estados e novas abordagens tecnológicas.
Um dos casos mais marcantes foi o de uma paciente de 72 anos que não evoluía mesmo após um ano de tratamento intensivo.
“Eu fazia reabilitação domingo a domingo… e ela ainda não conseguia andar”, relata.
A virada veio com o uso de uma tecnologia de treino de marcha com suspensão parcial de peso.
“Quando a gente instalou essa tecnologia, em um mês ela voltou a andar. Isso me marcou muito.”
Ele explica que o equipamento combina esteira, colete e sistema de sustentação, permitindo que pacientes reaprendam a marcha com segurança.
“Não é que todo caso vai ser assim, mas nesse caso específico fez muita diferença.”
Vinícius ressalta que a tecnologia na reabilitação não se resume a equipamentos sofisticados.
“Desde uma cadeira de rodas até uma barra de apoio, tudo isso é tecnologia.”
Ele cita exemplos do dia a dia, como assentos adaptados, pisos antiderrapantes e até iluminação inteligente para evitar quedas de idosos.
“Isso melhora segurança e independência.”
Em casos mais complexos, já são utilizados recursos como estimulação elétrica cerebral, mãos robóticas e até exoesqueletos com inteligência artificial.
“Hoje a gente consegue colocar uma mão robótica para movimentação de pacientes com AVC ou lesões neurológicas”, explica.
Segundo o especialista, pacientes com AVC, traumatismo craniano e doenças neurológicas podem sim apresentar melhor evolução com tecnologias associadas à fisioterapia.
“A gente tem uma fase de ouro nos primeiros seis meses pós-AVC. Se o paciente tiver acesso à reabilitação especializada e tecnologia, o impacto na vida dele é enorme”, afirma.
Por outro lado, ele alerta que não existe solução imediata.
“Existe o mito de que a tecnologia vai resolver tudo. Não é assim. Precisa avaliação, planejamento e profissional capacitado.”
Para Vinícius, os sinais de alerta aparecem nas atividades básicas do dia a dia.
“Se o paciente começa a ter dependência para comer, tomar banho, se locomover ou até cai com frequência, já são sinais de que precisa de avaliação especializada.”
Ele reforça que a família costuma perceber primeiro a perda de autonomia.
“A família enxerga quando aquele ente querido não está mais independente.”
Feira de Santana como referência
O fisioterapeuta destaca ainda que Feira de Santana se consolidou como referência regional em neuroreabilitação.
“Hoje a gente já recebe pacientes de Salvador, Aracaju e outras regiões buscando esse tipo de tratamento”, afirma.
Ele atribui isso à combinação entre equipe especializada e investimento em tecnologia.
“Não adianta só ter equipamento. Tem que ter profissional experiente para usar no paciente certo, na hora certa.”
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