18/08/2026
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Terceiro acusado pela morte de Mãe Bernadete será julgado em outubro

Júri popular de Josevan Dionísio dos Santos, apontado como um dos executores do crime, está marcado para 13 de outubro, em Salvador

Victória SilvaRedação: Victória Silva
terça-feira, 18 de agosto de 2026 às 16:00
Imagem de Terceiro acusado pela morte de Mãe Bernadete será julgado em outubro

O processo que investiga o assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete, terá mais uma etapa decisiva em outubro. Josevan Dionísio dos Santos, conhecido pelos apelidos “BZ” e “Buzuim”, será submetido ao Tribunal do Júri no dia 13 de outubro, a partir das 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.

Segundo a acusação, Josevan teria participado diretamente da execução da liderança quilombola, morta a tiros em 17 de agosto de 2023, dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.

A defesa dos interesses da família sustenta que há diferentes elementos que ligam o réu ao crime. O advogado Hédio Silva afirma que testemunhos, perícias e outros materiais obtidos durante a investigação serão apresentados aos jurados. Entre as evidências citadas está a arma que teria sido utilizada no assassinato e que, segundo o advogado, chegou a ser exibida pelo acusado nas redes sociais.

A representação da família pretende solicitar a aplicação da pena máxima em caso de condenação. Josevan responde por homicídio qualificado, com a acusação de que teria sido utilizado um meio que dificultou a possibilidade de defesa da vítima.

Julgamento será realizado em Salvador

O processo tramitava inicialmente em Simões Filho, mas o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) decidiu transferir o julgamento para Salvador. O chamado desaforamento tornou-se definitivo em maio deste ano, permitindo que o júri seja realizado na capital.

Este será o terceiro julgamento relacionado à morte de Mãe Bernadete. Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos já foram julgados pela Justiça. Marílio, apontado pelas investigações como mandante da ação, morreu durante uma operação policial após o crime.

Para o advogado da família, a realização de cada julgamento representa um avanço na tentativa de esclarecer completamente a participação dos envolvidos. A família também defende que o caso seja tratado levando em consideração a atuação de Mãe Bernadete na defesa da comunidade quilombola e do território de Pitanga dos Palmares.

Assassinato teve repercussão nacional

Mãe Bernadete tinha 72 anos quando foi assassinada. O crime ocorreu dentro da própria comunidade quilombola, onde ela atuava na defesa dos moradores e do território.

De acordo com a acusação, a liderança teria enfrentado interesses ligados ao tráfico de drogas na região, o que teria contribuído para colocá-la na mira de criminosos.

Três anos após o assassinato, o caso continua sendo acompanhado de perto por familiares, entidades e organizações ligadas à defesa dos direitos humanos e das comunidades quilombolas. A morte da liderança se tornou um dos episódios de maior repercussão envolvendo violência contra defensores de territórios tradicionais no país.

*Com informações Bahia.ba

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