Júri popular de Josevan Dionísio dos Santos, apontado como um dos executores do crime, está marcado para 13 de outubro, em Salvador
O processo que investiga o assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete, terá mais uma etapa decisiva em outubro. Josevan Dionísio dos Santos, conhecido pelos apelidos “BZ” e “Buzuim”, será submetido ao Tribunal do Júri no dia 13 de outubro, a partir das 8h, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.
Segundo a acusação, Josevan teria participado diretamente da execução da liderança quilombola, morta a tiros em 17 de agosto de 2023, dentro da sede da Associação Quilombola Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
A defesa dos interesses da família sustenta que há diferentes elementos que ligam o réu ao crime. O advogado Hédio Silva afirma que testemunhos, perícias e outros materiais obtidos durante a investigação serão apresentados aos jurados. Entre as evidências citadas está a arma que teria sido utilizada no assassinato e que, segundo o advogado, chegou a ser exibida pelo acusado nas redes sociais.
A representação da família pretende solicitar a aplicação da pena máxima em caso de condenação. Josevan responde por homicídio qualificado, com a acusação de que teria sido utilizado um meio que dificultou a possibilidade de defesa da vítima.
O processo tramitava inicialmente em Simões Filho, mas o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) decidiu transferir o julgamento para Salvador. O chamado desaforamento tornou-se definitivo em maio deste ano, permitindo que o júri seja realizado na capital.
Este será o terceiro julgamento relacionado à morte de Mãe Bernadete. Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos já foram julgados pela Justiça. Marílio, apontado pelas investigações como mandante da ação, morreu durante uma operação policial após o crime.
Para o advogado da família, a realização de cada julgamento representa um avanço na tentativa de esclarecer completamente a participação dos envolvidos. A família também defende que o caso seja tratado levando em consideração a atuação de Mãe Bernadete na defesa da comunidade quilombola e do território de Pitanga dos Palmares.
Mãe Bernadete tinha 72 anos quando foi assassinada. O crime ocorreu dentro da própria comunidade quilombola, onde ela atuava na defesa dos moradores e do território.
De acordo com a acusação, a liderança teria enfrentado interesses ligados ao tráfico de drogas na região, o que teria contribuído para colocá-la na mira de criminosos.
Três anos após o assassinato, o caso continua sendo acompanhado de perto por familiares, entidades e organizações ligadas à defesa dos direitos humanos e das comunidades quilombolas. A morte da liderança se tornou um dos episódios de maior repercussão envolvendo violência contra defensores de territórios tradicionais no país.
*Com informações Bahia.ba