Em encontro com diplomatas, presidente da Corte destacou a evolução do sistema de votação brasileiro e anunciou programação para demonstrar mecanismos de proteção e fiscalização
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promoveu nesta segunda-feira (17) um encontro com representantes diplomáticos de 86 países para apresentar detalhes do sistema eletrônico de votação utilizado no Brasil. Durante a reunião, o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, defendeu a confiabilidade das eleições brasileiras e destacou a adoção de recursos tecnológicos voltados à segurança e à transparência do processo.
Segundo Nunes Marques, a experiência brasileira acumulada ao longo das últimas décadas colocou o país em posição de destaque no cenário internacional quando o assunto é organização eleitoral. O ministro classificou o encontro como o maior evento internacional já realizado pelo TSE.
A agenda teve como um dos principais objetivos explicar aos representantes estrangeiros como funcionam as urnas eletrônicas e quais procedimentos são adotados para testar, fiscalizar e proteger o sistema de votação. A iniciativa integra uma série de ações da Justiça Eleitoral destinadas a ampliar o conhecimento internacional sobre o modelo brasileiro.
O encontro desta segunda-feira foi o segundo realizado pelo presidente do TSE com integrantes do corpo diplomático neste ano. Em junho, Nunes Marques já havia recebido representantes de 25 países para tratar do funcionamento das urnas e das etapas de segurança aplicadas ao processo eleitoral.
Com o retorno das atividades da Justiça Eleitoral após o recesso, Nunes Marques voltou a destacar a importância das urnas eletrônicas. O ministro definiu os equipamentos como um patrimônio da democracia brasileira e ressaltou que o sistema foi desenvolvido a partir de normas e soluções tecnológicas destinadas a garantir a integridade da votação.
O TSE também anunciou a realização da Semana Nacional do Sistema Eletrônico de Votação. A programação deverá incluir demonstrações abertas ao público sobre o funcionamento das urnas e os mecanismos utilizados para preservar a segurança das eleições.
A defesa do sistema ocorre em meio a novos questionamentos feitos por integrantes da família Bolsonaro. No mês passado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é candidato à Presidência da República, voltou a fazer críticas às urnas eletrônicas e apresentou alegações que já foram contestadas pelo próprio TSE.
Em uma conversa com diplomatas, Flávio também relacionou as urnas brasileiras à empresa Smartmatic e mencionou um relatório da CIA sobre supostas irregularidades envolvendo a companhia e as eleições venezuelanas de 2012. As afirmações fazem parte do debate político em torno do sistema eletrônico de votação.