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Um mês de tarifaço: Setores brasileiros sentem o impacto e cenário segue incerto

Setores como café, carne, frutas e equipamentos de construção civil são os mais afetados pelo “tarifaço” norte-americano.

Por Rafa
terça-feira, 09 de setembro de 2025

Passado um mês desde a imposição de tarifas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, os impactos ainda se mostram setoriais, com efeitos diferenciados sobre diversos segmentos da economia. Exportadores de café, carne, aço, alumínio, frutas e outros produtos sentem de forma mais aguda as consequências, enquanto a economia brasileira de modo geral enfrenta, até o momento, um impacto moderado.

Segundo Marco Silva, presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana, embora a economia global ainda absorva parcialmente os efeitos, setores diretamente atingidos já enfrentam medidas como férias coletivas e demissões.

“Segue ainda um risco muito grande, mas isso ainda está se consolidando. Algumas exportações foram antecipadas, o que diminuiu um pouco esse impacto. Quando essa produção for esgotada, aí sim sentiremos o real efeito na economia do Brasil”, explicou.

Marco destacou ainda que outros países conseguiram negociar com os Estados Unidos, como China, Índia, Japão e União Europeia, aproveitando janelas de oportunidades que o Brasil não conseguiu explorar.

“Existe uma grande movimentação dos empresários para tentar reduzir esse impacto, mas infelizmente com pouca participação do governo federal. Países não têm amigos, têm interesses. A situação ainda é de insegurança, porque contratos de exportação são de longo prazo. O empréstimo anunciado pelo governo ajuda momentaneamente, mas precisará ser pago depois”, afirmou.

Para Geraldo Pires, presidente do Centro das Indústrias de Feira de Santana, os setores exportadores sofrem diretamente com queda no PIB e no número de empregos.

“Produtos como café, carne, aço, alumínio, frutas, celulose, calçados e aeronaves estão entre os mais afetados. No caso das frutas, por exemplo, o Vale do São Francisco é duramente atingido. Equipamentos de construção civil, com mais de 50% destinados aos Estados Unidos, geram negócios da ordem de 1,5 bilhão de dólares. Não enxergamos uma solução rápida, mas sabemos que essa crise vai passar”, declarou.

O economista Gesner Brehmer reforçou que o impacto do chamado “tarifaço” é setorial e já reflete na queda das exportações brasileiras para os Estados Unidos, que recuaram 18,5% no período.

“As exportações totais do Brasil cresceram 3,9% em agosto, com destaque para Argentina e México, mas a preocupação é que esses mercados compram produtos com preços menores do que seriam vendidos aos norte-americanos. O cenário segue incerto, com negociações emperradas por posições ideológicas extremadas. Das cinco medidas do governo para amenizar os efeitos, apenas duas estão em andamento, enquanto a linha de crédito do BNDES ainda está travada no Congresso”, destacou.

*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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