Diagnóstico precoce ainda é a principal arma contra a doença
A campanha Novembro Azul, dedicada à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de próstata e à promoção da saúde integral do homem, tem ganhado cada vez mais força em todo o país. Em entrevista ao De Olho na Cidade, o urologista Dr. José Roberto Rios, do Centro Médico Central, destacou os avanços na conscientização masculina sobre a importância do cuidado preventivo, especialmente durante a campanha Novembro Azul, que reforça a necessidade de diagnóstico precoce do câncer de próstata e de outras doenças que afetam os homens.
O médico celebrou o que considera uma mudança positiva no comportamento do público masculino.
"Os homens estão cada vez mais conscientes da necessidade da prevenção. Isso é uma notícia muito boa para o nosso Novembro Azul. Eles estão entendendo que a melhor arma é o diagnóstico precoce”, afirmou.
Segundo ele, o câncer de próstata permanece como uma das patologias mais frequentes entre os homens no Brasil.
“De acordo com o Inca, são diagnosticados, em média, 70 mil casos de câncer de próstata por ano no país. Esse número assusta e se reflete tanto na zona urbana quanto na rural”, explicou. O médico ressaltou que já acompanha pacientes há muitos anos que não deixam de realizar seus exames regularmente.
Dr. José Roberto chamou atenção também para outra doença grave que ainda possui incidência elevada na região: o câncer de pênis, muitas vezes relacionado à falta de higiene e à presença de fimose.
“Infelizmente, o Norte e o Nordeste têm uma incidência alta de câncer de pênis. A principal arma contra isso é a higiene. A água está chegando mais longe, inclusive na zona rural, e isso já tem ajudado”, disse.
Ele destacou que o acesso ampliado à saúde da família também contribui para a prevenção.
“O médico está indo mais ao interior, levando conscientização. A fimose, quando não tratada, cria um ambiente propício a alterações que podem evoluir para câncer”, explicou.
Apesar da gravidade, o urologista comemora avanços: “Este ano vi apenas dois casos. A incidência vem diminuindo, felizmente.”
Além dos cânceres, o médico lembrou que o acompanhamento com urologista e clínico geral é fundamental para prevenir problemas mais comuns e até mais mortais.
“Quando falamos em saúde global do homem, não podemos esquecer das doenças cardiovasculares. Infarto e AVC ainda são as principais causas de morte”, alertou.
Ele reforça que pressões e exames simples feitos na consulta podem evitar complicações graves.
A disfunção erétil também aparece com frequência nos consultórios. Para o especialista, ela muitas vezes está ligada a hábitos de vida ruins, como sedentarismo, obesidade e tabagismo.
“Falo sempre que a maior falha do homem é não cuidar da saúde básica. Caminhada, exercício físico. De cada dez pacientes, um ou dois apenas fazem atividade física. A obesidade é fator de risco até para câncer de próstata”, disse.
Dr. José Roberto ressaltou que a consulta médica deve ser um espaço acolhedor e de linguagem acessível.
“Eu percebo de onde o paciente vem e uso a linguagem dele. Não adianta ser rebuscado; preciso entrar no ambiente que ele vive, falar como ele entende”, afirmou.
Ele também reforçou que muitos homens ainda acreditam que o PSA, exame de sangue, substitui o toque retal.
“O PSA é um alarme importante, mas não é suficiente. Existem casos de câncer com PSA normal. O toque não muda voz, não muda masculinidade. Ele traz segurança”, destacou.
O médico explicou ainda as recomendações de idade para início da prevenção:
Para Dr. José Roberto, a campanha vai além do câncer de próstata.
“Novembro Azul é investimento na saúde global masculina. Alimentação, atividade física, música, vida saudável, tudo isso faz parte. Não é só um exame que muda tudo, é o conjunto.”
*Com informações do repórter JP Miranda