22/06/2026
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De Olho na Cidade
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Anvisa libera medicamento inédito por via oral para câncer de mama avançado no Brasil

Novo tratamento é indicado para pacientes com mutação genética associada à resistência hormonal e demonstrou reduzir o avanço da doença em estudos clínicos.

Redação: De olho na cidade
segunda-feira, 22 de junho de 2026 às 16:20
Imagem de Anvisa libera medicamento inédito por via oral para câncer de mama avançado no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou nesta segunda-feira (22) o uso do Inluriyo (imlunestranto), primeiro medicamento oral aprovado no Brasil para tratar pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático do subtipo receptor de estrogênio positivo (ER+) e HER2 negativo, que apresentam mutação no gene ESR1 após tratamento hormonal prévio.

Desenvolvido pela farmacêutica Lilly, o medicamento foi projetado para atuar diretamente nos receptores de estrogênio alterados pela mutação genética. A proposta é impedir a ação dessas proteínas e promover sua degradação, dificultando a progressão do tumor em pacientes que já desenvolveram resistência às terapias endócrinas convencionais.

Especialistas explicam que as mutações no gene ESR1 costumam surgir durante a evolução do tratamento hormonal. Embora sejam incomuns nos estágios iniciais da doença, essas alterações podem aparecer em uma parcela significativa dos casos de câncer de mama metastático, tornando os tratamentos tradicionais menos eficazes.

A aprovação do medicamento foi baseada nos resultados do estudo clínico internacional Ember-3, que apontou benefícios relevantes para pacientes com a mutação genética. Segundo os dados apresentados, o uso do Inluriyo reduziu em 38% o risco de progressão da doença ou morte quando comparado às terapias hormonais atualmente utilizadas.

Os resultados também mostraram ganho no tempo de controle da doença. A sobrevida livre de progressão alcançou mediana de 5,5 meses entre os pacientes tratados com o novo medicamento, enquanto aqueles submetidos ao tratamento padrão registraram mediana de 3,8 meses.

Para o diretor médico da Lilly no Brasil, Luiz André Magno, a aprovação representa mais um avanço da medicina personalizada no combate ao câncer de mama. Segundo ele, a utilização de terapias direcionadas por biomarcadores permite tratamentos mais específicos e eficazes para grupos de pacientes com características genéticas definidas.

Em relação à segurança, o estudo indicou que os efeitos adversos mais frequentes foram diarreia, náuseas, anemia e fadiga. A maioria dos casos foi classificada como leve ou moderada. A taxa de interrupção do tratamento devido a reações adversas ficou em 4,3%, percentual considerado baixo pelos pesquisadores e que reforça o perfil favorável do medicamento.

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