22/06/2026
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Junho Violeta alerta para prevenção do ceratocone e riscos do hábito de coçar os olhos

Campanha reforça a importância do diagnóstico precoce e da conscientização para evitar a progressão da doença, que pode comprometer seriamente a visão de crianças e adolescentes

Victória SilvaRedação: Victória Silva
JP MirandaReportagem: JP Miranda
domingo, 21 de junho de 2026 às 13:14
Imagem de Junho Violeta alerta para prevenção do ceratocone e riscos do hábito de coçar os olhos

O mês de junho é marcado pela campanha Junho Violeta, iniciativa das entidades oftalmológicas voltada à conscientização sobre o ceratocone, doença que afeta a córnea e pode causar perda significativa da qualidade visual quando não diagnosticada e tratada precocemente. O oftalmologista Amilton Sampaio destaca que um dos principais fatores associados à progressão da doença é o hábito de coçar os olhos.

Segundo o médico, o atrito constante pode agravar casos iniciais e acelerar o avanço do ceratocone, especialmente em crianças e adolescentes.

“Existe uma relação muito forte entre esse atrito de esfregar e coçar os olhos e o desenvolvimento ou progressão do ceratocone. Uma criança que tenha um ceratocone leve e evite coçar os olhos pode nunca desenvolver formas avançadas da doença. Mas, se ela coça os olhos com frequência, pode haver uma progressão significativa”, explicou.

Dr. Amilton ressalta que o hábito deve ser combatido, principalmente entre pessoas com histórico familiar da doença. Além disso, ele alerta que esfregar os olhos pode desencadear outros problemas oculares.

“Não é só o ceratocone. Esse hábito pode causar outras doenças e até problemas mais graves, como descolamento de retina. Precisamos conscientizar a população sobre a importância de manter as mãos longe dos olhos e investigar as causas da coceira para tratá-las adequadamente”, afirmou.

O ceratocone costuma surgir durante a adolescência e tem como manifestações iniciais o aumento da miopia e do astigmatismo. No entanto, o especialista destaca que somente uma avaliação oftalmológica pode confirmar o diagnóstico.

“Nem toda criança que tem miopia ou astigmatismo possui ceratocone. O diagnóstico diferencial é feito durante a consulta oftalmológica, por meio de exames específicos que avaliam a curvatura da córnea”, explicou.

Entre os principais sinais de alerta estão visão embaçada, dificuldade para enxergar, necessidade frequente de trocar os óculos, sensibilidade excessiva à luz, visão dupla ou ‘fantasma’ e queda no rendimento escolar.

“Pais, professores e familiares devem ficar atentos. Muitas vezes, a criança apresenta dificuldades para enxergar ou tem o grau alterado em pouco tempo. Esses podem ser indícios de que o ceratocone está surgindo ou evoluindo”, alertou.

De acordo com Dr. Amilton, o tratamento do ceratocone depende do estágio da doença, mas o diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações e procedimentos mais invasivos.

Nos casos iniciais, o tratamento pode incluir colírios antialérgicos e lubrificantes, além da orientação para eliminar o hábito de coçar os olhos. Também podem ser indicados óculos ou lentes de contato especiais desenvolvidas para pacientes com ceratocone.

Já em estágios intermediários, procedimentos como o crosslinking, que fortalece as fibras da córnea, e o implante de anel intracorneano podem ajudar a controlar a deformação da córnea e melhorar a qualidade visual.

“O crosslinking tem o objetivo de fortalecer a córnea e impedir a progressão da doença. Em alguns casos, o anel intracorneano ajuda a reduzir o astigmatismo e facilita a adaptação aos óculos ou lentes de contato”, explicou.

Quando a doença chega a estágios avançados, o transplante de córnea pode ser necessário.

“O nosso objetivo é evitar que crianças e adolescentes cheguem à necessidade de um transplante. Mas, infelizmente, nos casos mais avançados, essa pode ser a única alternativa para recuperar a visão”, destacou.

O oftalmologista reforçou a principal mensagem da campanha.

“Quanto mais cedo o diagnóstico, maior a chance de prevenir complicações. A prevenção e o acompanhamento oftalmológico são fundamentais para preservar a visão e garantir qualidade de vida aos pacientes.”

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