09/06/2026
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De Olho na Cidade
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Arquiteta alerta sobre materiais “baratos” que podem gerar prejuízo e aponta onde vale economizar

A arquiteta Carina Macedo explicou destacou alternativas com melhor custo-benefício e reforçou a importância do projeto arquitetônico para evitar problemas futuros.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quinta-feira, 14 de maio de 2026 às 13:45
mulher negra sorridente, com cabelos presos, em um estúdio de rádio. Ela veste uma blusa preta e usa brincos de argola dourados.
Foto: De Olho na Cidade

Escolher materiais mais baratos nem sempre significa economia na construção civil. Em entrevista ao quadro Home News, a arquiteta Carina Macedo explicou que algumas escolhas aparentemente econômicas podem gerar gastos elevados com manutenção e substituição em pouco tempo. Ela também destacou alternativas inteligentes para reduzir custos sem comprometer estética e durabilidade.

Segundo a arquiteta, um dos principais erros está na escolha de revestimentos de baixa qualidade. Para ela, a cerâmica inferior pode acabar sendo uma falsa economia.

“A cerâmica de má qualidade tem uma composição muito mais porosa. Com pouco tempo, pode ocorrer infiltração, manchas e você acaba precisando trocar todo aquele piso. Você acreditou que era mais barato, mas depois vai precisar investir novamente”, explicou.

Carina fez uma diferenciação entre cerâmica e porcelanato, ressaltando que o porcelanato possui composição mais compacta e maior resistência.

Outro material que exige atenção é a madeira, especialmente em áreas externas. Apesar de admitir paixão pelo material, a arquiteta ponderou sobre os cuidados necessários.

“Eu amo madeira, sou apaixonada, mas a gente precisa saber onde aplicar. Em locais com sol e chuva frequentes, ela pode empinar, rachar e contrair. Hoje temos opções como alumínio em tom amadeirado, que fica tão bonito quanto e oferece mais durabilidade”, afirmou.

Carina apontou possibilidades de economia na construção sem comprometer a estética ou a durabilidade da obra. Entre elas, destacou o uso do EPS na alvenaria, um sistema composto por concreto magro com isopor.

“Hoje a gente tem o EPS, que pode ser utilizado como alvenaria e tem um custo de 20% a 30% menor do que o bloco cerâmico. Além disso, traz um conforto ambiental bem interessante, deixando a casa mais fresca”, disse.

Ela também sugeriu atenção na escolha das pedras, recomendando granitos escuros como alternativa mais vantajosa no longo prazo.

“Os granitos escuros têm boa resistência, as manchas ficam menos visíveis e você terá uma pedra que pode durar 15, 20 ou até 30 anos”, destacou.

Questionada sobre os pontos da obra em que a economia pode sair cara, Carina foi enfática ao citar fundação e telhado como áreas essenciais para investimento.

Sobre a fundação, a arquiteta destacou a necessidade de impermeabilização, especialmente em Feira de Santana, onde a umidade do solo pode provocar infiltrações nas paredes.

“É importante impermeabilizar a fundação. Aqui em Feira de Santana temos muito problema de infiltração nas paredes e isso muitas vezes vem da umidade do solo. A manta asfáltica e outros tipos de proteção ajudam a impedir esse problema”, alertou.

Já em relação ao telhado, ela chamou atenção para falhas de instalação, principalmente em coberturas de fibrocimento.

“Às vezes o cliente já está com a casa pronta, gesso e iluminação instalados, e aí vem a chuva. Se o telhado não estiver bem assentado, molha tudo e acontece aquele desastre”, comentou.

Como alternativa, a arquiteta recomendou o uso de manta de proteção ou até mesmo da telha termoacústica, que oferece mais segurança e conforto térmico.

Outro ponto destacado por Carina foi a importância do projeto arquitetônico, diante da tentativa de algumas pessoas de economizar nessa etapa da obra.

Segundo ela, o projeto representa uma pequena parcela do investimento total, mas pode evitar erros graves.

“O projeto arquitetônico é um planejamento. A gente pensa tudo previamente para evitar surpresas lá na frente. Geralmente o custo com arquiteto representa entre 5% e 10% da obra, mas faz muita diferença”, afirmou.

Ela explicou ainda que profissionais da área conseguem prever problemas de funcionalidade e estrutura antes mesmo da execução.

“Quem está no dia a dia da construção consegue identificar onde está o problema antes dele acontecer. Muitas vezes a pessoa acha que tem prática, mas só percebe os erros lá na frente”, pontuou.

Ao comparar esquadrias de madeira, PVC e alumínio, Carina apontou o alumínio como a melhor opção em custo-benefício, considerando durabilidade e resistência.

“O PVC é o melhor material em desempenho, especialmente em isolamento acústico e térmico, mas hoje o melhor custo-benefício é o alumínio, porque tem boa resistência ao sol, chuva e impacto, além de ser mais acessível”, concluiu.

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