Médico destaca que o transtorno vai muito além da hiperatividade, orienta sobre os principais sinais de alerta e reforça que o tratamento pode melhorar significativamente a qualidade e a expectativa de vida.
O número de diagnósticos de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem crescido nos últimos anos, mas esse aumento não significa necessariamente que mais pessoas estejam desenvolvendo o transtorno. Segundo o médico Itamar Antonini, a principal explicação está no maior acesso à informação e na mudança da forma como a sociedade compreende a condição.
"O que houve foi um aumento de informação sobre o tema. Antigamente não existia esse conhecimento. Hoje, com a divulgação na rádio, na televisão e nas mídias digitais, as pessoas começam a se identificar com os sintomas e procuram ajuda muito mais do que antes", afirma.

O médico explica que, durante muito tempo, o TDAH foi associado apenas à hiperatividade intensa, o que dificultava o reconhecimento de outros perfis do transtorno.
"Antigamente se associava o TDAH apenas à pessoa hiperativa, agitada, que quebrava tudo. Hoje sabemos que existem outros tipos. A pessoa pode ser fisicamente quieta, mas ter uma mente que não para. Esses casos muitas vezes passavam despercebidos", ressalta.
De acordo com Dr. Itamar, um dos principais sinais do TDAH é a dificuldade para iniciar tarefas, situação que leva muitas pessoas à procrastinação.
"Para quem tem TDAH, começar qualquer atividade pode ser um sacrifício. A pessoa enrola, procrastina e só realiza a tarefa quando o prazo está acabando. Às vezes consegue fazer, outras vezes não."
Outro sintoma frequente é a dificuldade de manter o foco, já que qualquer estímulo pode interromper a concentração.
"Um barulho, uma imagem, uma mosca passando ou até um cheiro diferente já são suficientes para tirar a atenção. Sustentar o foco exige um esforço muito grande."
O especialista destaca ainda que o transtorno pode provocar impulsividade, desregulação emocional e dificuldades no relacionamento pessoal e profissional.
"A pessoa pode fazer compras por impulso, abandonar um trabalho por um motivo pequeno e depois se arrepender. Também é comum apresentar reações desproporcionais diante de mudanças na rotina, além de esquecimentos frequentes."
Para quem suspeita ter TDAH ou observa sinais nos filhos, a recomendação é procurar avaliação médica e superar o preconceito ainda existente em relação aos transtornos mentais.
"É preciso vencer essa barreira quando se trata de saúde mental. O TDAH está entre as condições psiquiátricas que apresentam uma das melhores respostas ao tratamento."
Segundo o médico, estudos mostram que tratar o transtorno pode trazer impactos importantes na saúde e na qualidade de vida.
"As pessoas que tratam o TDAH vivem, em média, de oito a nove anos a mais do que aquelas que não tratam. Isso porque elas ficam menos expostas a situações de risco, como acidentes de trânsito, uso de drogas, sexo desprotegido e comportamentos impulsivos que prejudicam a vida financeira e os relacionamentos."
Dr, Itamar reforça que buscar ajuda especializada é o melhor caminho para controlar os sintomas e melhorar o dia a dia.
"Com o tratamento adequado, a resposta costuma ser muito boa. Muitas pessoas dizem que se arrependem apenas de não terem procurado ajuda antes."