25/07/2026
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Aumento nos diagnósticos de TDAH reflete mais informação e conscientização, explica especialista

Médico destaca que o transtorno vai muito além da hiperatividade, orienta sobre os principais sinais de alerta e reforça que o tratamento pode melhorar significativamente a qualidade e a expectativa de vida.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
JP MirandaReportagem: JP Miranda
domingo, 19 de julho de 2026 às 07:11
Imagem de Aumento nos diagnósticos de TDAH reflete mais informação e conscientização, explica especialista

O número de diagnósticos de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem crescido nos últimos anos, mas esse aumento não significa necessariamente que mais pessoas estejam desenvolvendo o transtorno. Segundo o médico Itamar Antonini, a principal explicação está no maior acesso à informação e na mudança da forma como a sociedade compreende a condição.

"O que houve foi um aumento de informação sobre o tema. Antigamente não existia esse conhecimento. Hoje, com a divulgação na rádio, na televisão e nas mídias digitais, as pessoas começam a se identificar com os sintomas e procuram ajuda muito mais do que antes", afirma.

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O médico explica que, durante muito tempo, o TDAH foi associado apenas à hiperatividade intensa, o que dificultava o reconhecimento de outros perfis do transtorno.

"Antigamente se associava o TDAH apenas à pessoa hiperativa, agitada, que quebrava tudo. Hoje sabemos que existem outros tipos. A pessoa pode ser fisicamente quieta, mas ter uma mente que não para. Esses casos muitas vezes passavam despercebidos", ressalta.

Sintomas vão além da falta de atenção

De acordo com Dr. Itamar, um dos principais sinais do TDAH é a dificuldade para iniciar tarefas, situação que leva muitas pessoas à procrastinação.

"Para quem tem TDAH, começar qualquer atividade pode ser um sacrifício. A pessoa enrola, procrastina e só realiza a tarefa quando o prazo está acabando. Às vezes consegue fazer, outras vezes não."

Outro sintoma frequente é a dificuldade de manter o foco, já que qualquer estímulo pode interromper a concentração.

"Um barulho, uma imagem, uma mosca passando ou até um cheiro diferente já são suficientes para tirar a atenção. Sustentar o foco exige um esforço muito grande."

O especialista destaca ainda que o transtorno pode provocar impulsividade, desregulação emocional e dificuldades no relacionamento pessoal e profissional.

"A pessoa pode fazer compras por impulso, abandonar um trabalho por um motivo pequeno e depois se arrepender. Também é comum apresentar reações desproporcionais diante de mudanças na rotina, além de esquecimentos frequentes."

Diagnóstico e tratamento fazem diferença

Para quem suspeita ter TDAH ou observa sinais nos filhos, a recomendação é procurar avaliação médica e superar o preconceito ainda existente em relação aos transtornos mentais.

"É preciso vencer essa barreira quando se trata de saúde mental. O TDAH está entre as condições psiquiátricas que apresentam uma das melhores respostas ao tratamento."

Segundo o médico, estudos mostram que tratar o transtorno pode trazer impactos importantes na saúde e na qualidade de vida.

"As pessoas que tratam o TDAH vivem, em média, de oito a nove anos a mais do que aquelas que não tratam. Isso porque elas ficam menos expostas a situações de risco, como acidentes de trânsito, uso de drogas, sexo desprotegido e comportamentos impulsivos que prejudicam a vida financeira e os relacionamentos."

Dr, Itamar reforça que buscar ajuda especializada é o melhor caminho para controlar os sintomas e melhorar o dia a dia.

"Com o tratamento adequado, a resposta costuma ser muito boa. Muitas pessoas dizem que se arrependem apenas de não terem procurado ajuda antes."

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