25/07/2026
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3 min de leitura

Brasileiros passam mais da metade da vida conectados; especialista alerta para impactos da hiperconectividade na saúde mental

Estudo aponta que brasileiros passam cerca de 41 anos da vida na internet

Victória SilvaRedação: Victória Silva
Reportagem: Bárbara Barreto
quarta-feira, 22 de julho de 2026 às 18:43
Imagem de Brasileiros passam mais da metade da vida conectados; especialista alerta para impactos da hiperconectividade na saúde mental

Os brasileiros passam, em média, mais da metade da vida conectados à internet. Segundo um levantamento recente, são aproximadamente 91 horas por semana em atividades online, o equivalente a cerca de 41 anos de vida. As redes sociais e as plataformas de entretenimento, como serviços de streaming de filmes e séries, concentram grande parte desse tempo.

Embora a tecnologia ofereça inúmeras oportunidades para trabalho, estudo e lazer, especialistas alertam que o uso excessivo das telas, conhecido como hiperconectividade, pode trazer consequências importantes para a saúde mental.

A psiquiatra Jéssica Sampaio explica que o problema não está apenas na quantidade de horas diante das telas, mas nos prejuízos que esse hábito passa a causar na rotina.

"A hiperconectividade é o uso excessivo de telas que traz prejuízo no dia a dia dos pacientes. Quando esse uso começa a afetar a rotina, provocando ansiedade excessiva, irritabilidade e alterações no ciclo de vida, ele deixa de ser apenas um hábito e passa a representar um problema", afirma.

Ansiedade é um dos principais impactos

De acordo com a especialista, um dos efeitos mais frequentes observados nos consultórios é o aumento dos casos de ansiedade generalizada. Ela explica que o excesso de estímulos digitais mantém o cérebro em constante estado de alerta, favorecendo alterações emocionais.

"O impacto mais relevante que relatamos hoje é a ansiedade generalizada. Esse excesso de dopamina faz com que as pessoas sintam necessidade de permanecer conectadas o tempo todo, buscando constantemente uma sensação de prazer e bem-estar. Isso pode levar também a episódios depressivos", ressalta.

Identificar os sinais é o primeiro passo

A médica orienta que o primeiro passo para evitar problemas é perceber quando a tecnologia começa a comprometer a qualidade de vida.

"A gente identifica quando percebe prejuízos na rotina, como insônia, ansiedade, depressão e queda na qualidade de vida. É nesse momento que precisamos rever nossos hábitos."

Entre as recomendações, ela destaca medidas simples que ajudam a reduzir a exposição às telas.

"Ao acordar, evite pegar o celular imediatamente. Também é importante evitar o uso de telas pelo menos uma hora antes de dormir. São mudanças de rotina que ajudam a estabelecer limites para esse uso excessivo."

Crianças e adolescentes exigem atenção especial

Dra. Jéssica também chama a atenção para os impactos da hiperconectividade entre crianças e adolescentes. Segundo ela, apesar de muitos adultos dependerem da internet para trabalhar, o uso indiscriminado pode gerar dependência e afetar o desenvolvimento dos mais jovens.

"Muitas pessoas utilizam as telas por necessidade de trabalho, mas isso pode acabar gerando uma dependência que traz prejuízos para a rotina. Nas crianças, esse uso abusivo pode provocar atraso no neurodesenvolvimento. Hoje esse é um dos grandes desafios relacionados à hiperconectividade."

A orientação da especialista é estabelecer horários e limites para o uso de dispositivos eletrônicos, equilibrando o tempo conectado com outras atividades do dia a dia.

"É importante definir um tempo para o uso das telas e evitar que esse consumo aconteça em grande quantidade. O equilíbrio é fundamental para preservar a saúde mental e a qualidade de vida."

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