Especialista destaca que sangramento nas fezes, perda de peso e anemia sem causa aparente exigem investigação e afirma que o rastreamento pode elevar as chances de cura para até 90%.
A morte da cantora Preta Gil, há um ano, em decorrência de um câncer de intestino, reacende o debate sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença. Um dos tipos de câncer mais frequentes entre homens e mulheres, o câncer colorretal ainda é identificado tardiamente na maioria dos casos no Brasil, reduzindo significativamente as chances de cura.
O médico endoscopista e intervencionista do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), Dr. Vitor Galvão, alerta que a atenção aos sinais do organismo pode fazer toda a diferença no tratamento.
"O câncer de intestino é um dos cânceres mais frequentes entre homens e mulheres e, infelizmente, quando diagnosticado em fase avançada, as chances de cura são limitadas", destacou.
Entre os principais sinais de alerta estão a perda de peso sem explicação, anemia, principalmente em pessoas mais idosas, e o sangramento nas fezes. Segundo o especialista, esse último sintoma costuma ser confundido com problemas como hemorroidas, o que pode atrasar o diagnóstico.
"O sangramento nas fezes costuma ser atribuído a doenças como hemorroida, mas, se acontece em idade mais avançada ou persiste, precisa ser investigado. O paciente pode estar diante de um câncer de intestino ou de uma lesão pré-cancerígena e perder uma oportunidade de cura", explicou.
Além da realização de exames preventivos, o médico ressalta que mudanças no estilo de vida reduzem o risco de desenvolvimento da doença. Evitar o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e manter uma rotina de atividades físicas estão entre as principais recomendações.
"Não fumar, não consumir álcool em excesso e praticar atividades físicas regularmente são os principais mecanismos de prevenção desse tipo de tumor", afirmou.
O especialista destaca que pessoas sem sintomas também devem realizar exames de rastreamento. Entre eles estão o teste de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, capazes de identificar pólipos — lesões que podem evoluir para o câncer antes mesmo de causar sintomas.
"Os pólipos normalmente não dão sintomas e se tornam mais frequentes a partir dos 45 anos. Por isso, pessoas acima dessa idade devem realizar a colonoscopia", orientou.
Para quem possui histórico familiar da doença em parentes de primeiro grau, a recomendação é antecipar o exame.
"Quem tem um parente de primeiro grau com câncer de intestino deve fazer o rastreamento aos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico", explicou.
Dr. Vitor destaca que identificar a doença ainda em fases iniciais faz toda a diferença no prognóstico do paciente.
"Quando diagnosticado em fases iniciais ou ainda na fase de pólipo, o câncer de intestino pode alcançar até 90% de chance de cura. Já quando é descoberto em fase avançada, essa chance cai para cerca de 10%."
O médico também chama atenção para um dado preocupante: atualmente, aproximadamente 85% dos casos no Brasil ainda são diagnosticados em estágios avançados.
"A gente precisa inverter esse cenário e diagnosticar muito mais lesões em fases curáveis. O rastreamento salva vidas."
O tratamento varia conforme o estágio da doença. Em lesões iniciais, procedimentos endoscópicos podem ser suficientes. Já nos casos mais avançados, pode ser necessária cirurgia, por laparoscopia ou cirurgia robótica, além de quimioterapia, dependendo da avaliação médica.
Após o tratamento, o paciente deve permanecer em acompanhamento contínuo com a equipe médica, realizando colonoscopias periódicas e seguimento com o oncologista, principalmente nos primeiros cinco anos.