Missão humanitária mobiliza especialistas, medicamentos e estrutura de atendimento para auxiliar vítimas da tragédia que já deixou mais de mil mortos
O governo brasileiro intensificou a operação de assistência humanitária destinada à Venezuela, país atingido por fortes terremotos na última semana. Além do envio de equipes especializadas em buscas e salvamento, o Brasil prepara uma nova missão aérea com medicamentos e equipamentos para a instalação de um hospital de campanha, ampliando o suporte às vítimas do desastre.
A primeira etapa da operação foi realizada pela Força Aérea Brasileira (FAB), que deslocou uma aeronave KC-390 Millennium até a Base Militar El Libertador, na cidade de Maracay. A bordo seguiram médicos, cães farejadores e profissionais especializados em operações de busca urbana.
Também integram a missão representantes da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, militares dos Corpos de Bombeiros de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A coordenação da ação está sob responsabilidade da Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores.
A expectativa é que a equipe permaneça em território venezuelano por pelo menos 15 dias, período que poderá ser estendido caso as autoridades considerem necessário. Neste momento, a prioridade é localizar pessoas que possam estar vivas sob os escombros.
De acordo com Karoline Magalhães, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, ainda existe possibilidade de encontrar sobreviventes mesmo vários dias após o desabamento de edifícios.
"Quando cai um prédio, formam-se bolsões de ar. Então, as pessoas, muitas vezes, permanecem dentro desses bolsões com uma sobrevida até considerável, cinco, dez dias."
A ajuda brasileira será ampliada com um terceiro voo humanitário, previsto para partir da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. A aeronave transportará módulos para montagem de um hospital de campanha, além de kits de medicamentos e materiais destinados ao atendimento emergencial.
Segundo o governo federal, serão enviados cinco kits de calamidade, reunindo aproximadamente 111,8 mil medicamentos e insumos, quantidade suficiente para atender cerca de 1.500 pessoas durante um mês. Entre os itens embarcados estão antibióticos, analgésicos, anti-inflamatórios, soluções injetáveis, gazes, ataduras, seringas, luvas e máscaras.
O Ministério da Saúde informou que a remessa foi organizada sem comprometer os estoques disponíveis para o atendimento da população brasileira por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Nos próximos dias, o ministro da Defesa, José Múcio, também deverá viajar à Venezuela para acompanhar de perto o andamento da operação humanitária.
Os terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram na quarta-feira (24), com intervalo inferior a um minuto entre os tremores. O desastre provocou destruição em diversas regiões do país.
Até o balanço mais recente divulgado pelas autoridades venezuelanas, foram confirmadas 1.430 mortes e 3.238 pessoas feridas.
Além do Brasil, equipes de resgate de países como México, Chile, El Salvador, Estados Unidos, Espanha e Catar participam das operações de socorro, juntamente com organismos ligados à ONU. Enquanto isso, brasileiros e venezuelanos que vivem em Roraima promovem campanhas de arrecadação de alimentos, água e outros donativos para apoiar as famílias afetadas.