Em entrevista, ele cita casos de supostos abusos na gestão pública, defende mais ética no empresariado e diz que é preciso “sair da indignação para a ação”
O empresário Carlos Medeiros fez críticas à condução da vida pública no Brasil e afirmou que o país atravessa uma “crise de moralidade”, durante entrevista ao quadro Conversa Franca. Segundo ele, há um distanciamento crescente entre a legalidade e a ética nas instituições.
“Eu acho que esse nosso momento é extremamente delicado. A gente vem vendo uma situação cada vez mais imoral na nossa vida pública. Isso é uma grande tristeza”, afirmou.
Carlos citou reportagens e casos envolvendo contratações públicas e possíveis irregularidades para reforçar sua crítica ao que chamou de “sistema viciado”.
“Saiu uma reportagem sobre fraude nas contratações de bandas, com superfaturamento de mais de 800%. Então o momento que a gente vive é uma crise de moralidade extremamente grande”, disse.
Ele também mencionou casos de remunerações e benefícios no setor público que, segundo ele, podem ser legais, mas seriam moralmente questionáveis.
“Apesar de ser legal, é uma imoralidade. E a gente precisa voltar à simplicidade da moral, de ter bons costumes, pessoas de palavra”, completou.
Durante a entrevista, o empresário também relatou uma experiência pessoal para ilustrar a importância da confiança e da integridade.
“Antigamente, o que mais valia em um homem era a sua palavra. A gente precisa confiar nas pessoas”, disse, ao comentar um episódio envolvendo troca de figurinhas com um desconhecido.
Segundo ele, a base da moralidade está na formação familiar e no convívio social.
“A moral vem da família, da criação, do convívio. E a gente precisa valorizar isso novamente”, destacou.
Carlos Medeiros também criticou a desconfiança generalizada na política e afirmou que isso favorece a manutenção do atual cenário.
“Tem uma parte da população que não quer nem mais saber de política porque não acredita em mais nada. E isso faz com que esses caras se perpetuem no poder”, afirmou.
Ele defendeu maior participação de pessoas “de bem” na vida pública e disse que o afastamento da sociedade contribui para a continuidade de problemas estruturais.
Ao ser questionado sobre o papel do setor produtivo, o empresário defendeu que a iniciativa privada deve dar exemplo de ética e não se submeter a práticas irregulares para manter contratos com o poder público.
“A iniciativa privada tem que dar o exemplo. Não entrar nessa ciranda de se corromper para fornecer ao Estado”, afirmou.
Ele também criticou a dependência de relações pouco transparentes entre empresas e governo, citando como referência negativa escândalos de corrupção.
Carlos ainda defendeu o resgate de conteúdos ligados à formação moral nas escolas.
“Eu lembro da Educação Moral e Cívica. Acho que era uma matéria importante para falar sobre esses pontos”, disse.
O empresário fez um apelo por ação e engajamento social.
“A gente precisa reclamar menos e resolver mais. Sair da indignação e ir para a ação”, afirmou.
Ele concluiu defendendo maior participação dos jovens na transformação do país:
“As pessoas de bem precisam participar mais da política. Não vamos deixar morrer a esperança por dias melhores.”