Empresa atribui crise ao cenário de juros elevados, restrição de crédito e queda no consumo; 298 lojas também serão fechadas
A Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), em meio a uma grave crise financeira. A decisão foi aprovada pelo conselho de administração e pelo acionista controlador e comunicada ao mercado na noite deste domingo (16).
A situação se agravou após a companhia registrar prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre, resultado 18 vezes maior que a perda contabilizada no mesmo período do ano anterior. O balanço financeiro, divulgado depois de dois adiamentos, também revelou o encerramento das operações de 298 lojas.
De acordo com a empresa, a deterioração das contas está relacionada principalmente ao ambiente de juros elevados e às dificuldades para obtenção de crédito. A Casas Bahia também apontou o aumento das despesas financeiras, a redução do consumo e problemas envolvendo o capital de giro como fatores que pressionaram os resultados.
Outro ponto citado pela companhia foi a frustração de alternativas de liquidez que estavam em negociação e poderiam contribuir para aliviar a situação financeira. Diante desse cenário, a recuperação judicial foi apresentada como uma medida para reorganizar as dívidas e permitir a continuidade das atividades.
O processo não envolve apenas a Casas Bahia. Outras empresas ligadas ao grupo também foram incluídas no pedido, entre elas ASAP Log, CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística, Cntlog Express, Globex Administração e Serviços, Cnova Comércio Eletrônico, Integra Soluções para Varejo Digital, Casas Bahia Tecnologia e Indústria de Móveis Bartira.
A companhia informou ainda que deverá convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para que os acionistas confirmem formalmente a decisão tomada em caráter emergencial.