Dra. Cláudia Souza afirma que a idade cronológica não define a saúde e alerta para os impactos dos hábitos ao longo da vida
Chegar aos 50 anos representa uma nova fase da vida, marcada por mudanças físicas, hormonais, emocionais e também por desafios relacionados à saúde, à vida financeira e às relações sociais. O tema foi discutido pela médica ginecologista Dra. Cláudia Souza, durante o quadro Mulher pra Mulher, exibido no Jornal do Meio Dia, da Rádio Princesa FM.
Para a médica, apesar dos desafios, a maturidade deve ser valorizada. Segundo ela, a chegada aos 50 anos pode representar um período de mais consciência e melhores escolhas.
“É tão bom amadurecer. É muito interessante chegar aos 50 e valorizar essa fase da vida. Porque é uma fase de maturidade, onde a gente está concentrando na nossa bagagem tantos ensinamentos”, afirmou.
Dra. Cláudia explicou que a idade registrada nos documentos nem sempre corresponde à idade biológica ou metabólica de uma pessoa. Para ela, os cuidados com a saúde podem fazer com que o indivíduo apresente um organismo mais jovem do que a idade cronológica.
“A idade cronológica, aquela que consta na carteira de identidade, nem sempre está compatível com a idade metabólica, a idade biológica”, destacou.
A médica contou, inclusive, que recentemente realizou uma avaliação e identificou uma idade metabólica inferior à idade real.
“Quando cuidamos da saúde, quando fazemos exercício, quando temos um sono de reparo, quando modulamos o nosso estresse, somos capazes de refletir isso no exame”, explicou.
Segundo Dra. Cláudia, o grande desafio não é simplesmente envelhecer, mas buscar qualidade de vida, autonomia e equilíbrio ao longo dos anos.
“A questão toda é como envelhecer com qualidade. Esse é o grande desafio. Porque isso é possível. Você ter uma idade e ser muito mais jovem, ter autonomia e buscar ter uma saúde equilibrada”, afirmou.
Durante a entrevista, a médica também destacou que homens e mulheres podem vivenciar a chegada aos 50 anos de maneiras diferentes. Enquanto as mulheres tendem a se preocupar mais com a aparência, os homens, segundo ela, muitas vezes demonstram preocupação com a capacidade de trabalho e a estabilidade financeira.
“A mulher talvez se preocupe mais com a questão da aparência, da estética. O homem, eu acho que se preocupa mais com a estrutura financeira, de como ele vai chegar quando não tiver a mesma força para trabalhar”, comentou a apresentadora.
Dra. Cláudia explicou que, após os 50 anos, o corpo passa por diversas mudanças. A composição corporal, os hormônios, a capacidade de recuperação e até a digestão podem ser afetados.
“Após os 50, não só a aparência muda. Mudam os hormônios, muda a composição corporal. A gente tem uma tendência ao acúmulo de gordura, que aumenta o risco cardiovascular e a possibilidade de doenças”, alertou.
A médica também citou a redução da capacidade de recuperação após esforços e as mudanças na digestão e na absorção de nutrientes.
A busca por uma aparência mais jovem também foi um dos assuntos abordados. Para Dra. Cláudia, procedimentos estéticos podem contribuir, mas não devem ser vistos como a única solução para o envelhecimento.
“A saúde você não constrói de fora para dentro. Apenas fazendo uma correção com a cirurgia plástica”, afirmou.
Segundo ela, sono adequado, alimentação equilibrada, controle hormonal e ganho de massa muscular são fundamentais para uma aparência mais saudável.
“Não apenas os procedimentos, botox, ácido hialurônico e harmonização. Tem pessoas que estão fazendo tantas harmonizações que estão ficando desarmonizadas”, brincou.
A médica explicou ainda que mudanças como flacidez, perda de volume facial, queda de cabelo, ressecamento da pele e alterações na região íntima fazem parte do processo fisiológico do envelhecimento, mas podem ser amenizadas.
“O que mais importa é como você se enxerga. É quando você se olha e se identifica com o que está vendo”, destacou.
Dra. Cláudia também fez um alerta sobre doenças que costumam se manifestar com mais frequência após os 50 ou 60 anos. De acordo com ela, muitas dessas condições não surgem de forma repentina, mas são resultado de hábitos acumulados durante décadas.
“A doença que se manifestou aos 50 ou aos 60 anos não é uma doença que surgiu nessa fase”, explicou.
A médica citou hipertensão, obesidade, diabetes, osteoporose, demência, doenças cardiovasculares e problemas articulares como condições que podem estar relacionadas a um processo inflamatório crônico provocado por excessos e falta de cuidados.
“A estrutura corpórea não aguenta tantos excessos e tantas sobrecargas”, afirmou.
Entre os fatores de risco, ela destacou o consumo excessivo de álcool, açúcar e alimentos gordurosos, além da falta de atividade física e do desequilíbrio nutricional.
“Essas doenças todas que acometem o indivíduo na fase mais tardia podem ser consequência de excessos que podem ter iniciado na infância e até na adolescência”, alertou.
Outro ponto discutido foi a tendência de muitas mulheres, após os 50 anos, reduzirem a disposição para sair e conhecer novas pessoas. Para a médica, a seletividade pode ser natural com a maturidade, mas o isolamento social representa um risco.
“A maturidade faz isso. A ilusão diminui e aumenta a necessidade de ter relações mais verdadeiras. A seletividade é natural”, disse.
No entanto, ela alertou que a mulher não deve deixar de se socializar.
“O grande risco é a mulher deixar de se socializar. E aí vem a solidão, vem a depressão. Não podemos nos entregar à falta de desejo de conhecer o novo”, afirmou.
Dra. Cláudia contou que atualmente participa de um curso de oratória e destacou a importância de buscar atividades em grupo e novas experiências.
“As pessoas estão se movimentando, buscando fazer atividades em grupos e interagir. Isso é muito importante para o crescimento pessoal”, ressaltou.
A médica também chamou atenção para a importância da independência financeira, especialmente para as mulheres que chegam aos 50 anos sem uma reserva ou sem planejamento para o futuro.
Segundo ela, o período entre 50 e 60 anos pode representar uma oportunidade para mudanças e novos projetos.
“É como se fosse a última chance que a gente tem para se lançar para o novo”, afirmou.
Dra. Cláudia defendeu a possibilidade de uma transição de carreira, a busca por capacitação e a construção de novas redes de relacionamento.
“Fazer uma transição de carreira, aprender uma nova atividade, investir em capacitação, interagir com pessoas, porque o network é muito importante”, aconselhou.
Para ela, envelhecer sem recursos e sem planejamento pode aumentar a dependência e favorecer quadros de sofrimento emocional.
“Você vai envelhecer doente e dependente. E precisa de um cuidador”, alertou.
A médica também destacou a mudança no perfil das famílias, com casais tendo menos filhos, e levantou uma reflexão sobre quem cuidará dos idosos no futuro.
“Antigamente, uma mãe tinha dez filhos, cinco, seis. Entre todos, aparecia algum para cuidar dos pais. E agora os casais estão optando por não ter filhos ou ter um filho único. Quem é que vai cuidar desse idoso?”, questionou.
Ao falar sobre a finitude da vida, Dra. Cláudia afirmou que é necessário compreender o envelhecimento como parte natural da existência e aproveitar melhor os momentos ao lado da família.
“A gente não pode brigar com essa realidade de encarar a vida como algo transitório. Mas ela pode ser vivida de forma plena”, afirmou.
A médica defendeu a valorização do contato entre gerações e dos momentos em família.
“É um bate-papo tão gostoso que precisa ser valorizado, o contato e aproveitar esse momento com a família”, disse.
Dra. Cláudia deixou uma mensagem sobre a necessidade de assumir o controle da própria vida e das emoções.
“Não faça igual à música sugere: ‘deixa a vida me levar’. Se você deixar, ela pode te levar para um lugar que você não vai gostar. Então, tenha o controle. Seja líder de si mesmo”, concluiu.