Cirurgião bucomaxilofacial Tiago Leite destaca importância da avaliação precoce e afirma que a maioria dos pacientes precisará passar pelo procedimento
Durante o quadro semanal nos programas Jornal do Meio (Rádio Princesa FM) e De Olho na Cidade (Rádio Sociedade News), o cirurgião bucomaxilofacial Dr. Thiago Leite esclareceu dúvidas sobre a remoção dos dentes sisos, também conhecidos como terceiros molares. O especialista explicou que, devido às mudanças na estrutura óssea da população ao longo dos séculos, muitos pacientes não possuem espaço suficiente para a erupção adequada desses dentes, o que pode causar diversos problemas de saúde bucal.
Segundo o cirurgião, a evolução dos hábitos alimentares influenciou diretamente na redução do tamanho dos maxilares humanos.
“Há milhares de anos, a alimentação era mais dura e exigia maior esforço mastigatório. Com o passar do tempo, os maxilares foram ficando menores e, muitas vezes, não há espaço suficiente para o siso nascer adequadamente”, explicou.
De acordo com Dr. Thiago, quando o dente permanece totalmente ou parcialmente dentro do osso, a recomendação da literatura científica é a remoção.
“Todo terceiro molar incluso ou semi-incluso deve ser removido. Além disso, os sisos que apresentam cárie, inflamação ou dificuldade de higienização também têm indicação para extração”, afirmou.
O especialista ressaltou que a remoção não é obrigatória para todos os casos. Pacientes que possuem os dentes sisos completamente erupcionados, sem cáries e com função mastigatória adequada podem mantê-los.
“Só não precisa remover aqueles pacientes que têm o terceiro molar erupcionado, funcionando normalmente e sem problemas de higiene ou restaurações”, destacou.
Por outro lado, quando há inflamações recorrentes, especialmente a chamada pericoronarite — infecção causada pelo acúmulo de alimentos entre a gengiva e o dente parcialmente exposto —, a retirada passa a ser necessária.
“Enquanto o dente não for removido, esse processo inflamatório tende a voltar repetidamente. A solução definitiva é eliminar o foco infeccioso”, alertou.
Durante a entrevista, Dr. Thiago chamou atenção para a complexidade anatômica da região onde os sisos estão localizados, especialmente pela proximidade com importantes nervos da mandíbula.
“O siso fica muito próximo do nervo alveolar inferior. Se a cirurgia não for realizada com a técnica adequada, pode ocorrer parestesia, que é a dormência da língua, do queixo ou dos lábios por um período prolongado”, explicou.
Por esse motivo, ele recomenda que a cirurgia seja realizada por profissionais especializados em cirurgia bucomaxilofacial.
Segundo o especialista, dentes sisos que nascem inclinados ou tortos frequentemente favorecem o acúmulo de resíduos alimentares e o surgimento de infecções.
“Na maioria das vezes, o siso torto já está associado a um processo infeccioso. O ideal é procurar um cirurgião bucomaxilo levando uma radiografia panorâmica para avaliação”, orientou.
Dr. Thiago também comentou sobre o medo que muitos pacientes têm da cirurgia.
“Na CIRFACE, já realizei mais de 40 mil cirurgias de remoção de sisos. A maioria dos pacientes chega com receio, por isso priorizamos procedimentos com sedação para proporcionar mais conforto e tranquilidade”, relatou.
Ele explicou que, nos consultórios, normalmente é utilizada a sedação consciente, enquanto pacientes com fobia intensa ou com doenças sistêmicas podem ser submetidos ao procedimento em ambiente hospitalar, sob acompanhamento de um médico anestesiologista.
De acordo com o cirurgião, a idade ideal para avaliação e possível remoção dos dentes sisos está entre os 16 e 19 anos, período em que os dentes costumam iniciar sua erupção.
“Essa é, sem dúvida, a melhor fase para remover os sisos. As raízes ainda não estão completamente formadas e o osso é menos rígido, o que facilita a cirurgia e melhora a recuperação”, afirmou.
O especialista ressaltou ainda que pacientes mais jovens costumam apresentar menos doenças associadas, o que reduz riscos durante o procedimento.
“É muito melhor fazer a cirurgia entre 17 e 20 anos do que esperar até os 40 ou 50 anos, quando podem existir condições como diabetes, hipertensão ou obesidade que dificultam o tratamento”, observou.
Dr. Thiago Leite adiantou que os próximos encontros abordarão temas relacionados à disfunção temporomandibular (DTM), dores de cabeça e dores na face. O especialista também informou que o assunto apneia obstrutiva do sono deverá voltar à pauta devido à grande repercussão entre os ouvintes.
“Vamos voltar a falar sobre a apneia obstrutiva do sono, um tema que despertou muito interesse. Muitas pessoas não sabem que o tratamento cirúrgico possui cobertura obrigatória pelos planos de saúde”, concluiu.