25/07/2026
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Estresse, adrenalina e futebol: Cardiologista explica os riscos para o coração durante a Copa

Dr. Israel Reis explica que jogos decisivos elevam os casos de emergências cardiovasculares e orienta torcedores a manterem acompanhamento médico e evitarem excessos.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
domingo, 05 de julho de 2026 às 06:23
Imagem de Estresse, adrenalina e futebol: Cardiologista explica os riscos para o coração durante a Copa
SeanShot/Getty Images

A emoção de uma partida decisiva de futebol pode ir muito além da torcida. Durante grandes competições, como a Copa do Mundo, aumenta o número de atendimentos por problemas cardiovasculares, especialmente entre pessoas que já possuem fatores de risco. O alerta foi feito pelo cardiologista Dr. Israel Reis, em entrevista ao Jornal do Meio Dia, ao comentar casos recentes de torcedores que sofreram infarto durante os jogos.

Segundo o especialista, já existem estudos científicos que comprovam a relação entre momentos de forte tensão emocional e o aumento de emergências cardíacas.

"Toda Copa do Mundo a gente já espera que as emergências recebam uma quantidade maior de pacientes com emergências cardiovasculares. E quando eu falo disso, não estou falando apenas de infarto, mas também de arritmias, angina e, principalmente, do infarto agudo do miocárdio."

O médico lembrou que um estudo realizado durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, analisou cerca de quatro mil atendimentos e identificou que os casos de emergências cardiovasculares dobravam nos dias em que a seleção alemã entrava em campo.

"Esse aumento já está documentado em estudos, mas acontece muito mais em pessoas predispostas, como hipertensos, diabéticos e pacientes que já têm doença cardíaca."

Atenção aos primeiros sintomas

Para o cardiologista, o período da Copa também deve servir como um incentivo para que a população faça avaliação médica preventiva.

"Quem ainda não fez um check-up cardiológico, esse é um momento para conhecer melhor o próprio coração."

Ele ressalta que sintomas como dor intensa no peito, palpitações acompanhadas de falta de ar ou qualquer desconforto incomum durante uma partida não devem ser ignorados.

"Não pode demorar para procurar atendimento. O contato imediato com o SAMU, pelo 192, ou a ida rápida a uma emergência médica faz toda a diferença. O tempo pode determinar um desfecho melhor ou pior."

Excesso de álcool e descuido com medicamentos aumentam os riscos

Outro fator que preocupa durante grandes eventos esportivos é a mudança de hábitos. Segundo Dr. Israel, exageros na alimentação, consumo de bebidas alcoólicas e o esquecimento da medicação podem potencializar os riscos.

"Esse é o momento de evitar excesso de álcool, comidas com muito sal ou gordura e, principalmente, manter o uso dos medicamentos no horário correto. O cuidado deve ser redobrado."

O especialista explica que momentos de grande tensão, como uma disputa por pênaltis ou um gol nos minutos finais, provocam uma intensa liberação de hormônios do estresse, como adrenalina, noradrenalina e cortisol.

"As emoções ruins, como raiva, angústia e frustração, podem desencadear o rompimento de placas de gordura nas artérias do coração em pessoas que já têm a doença."

Ele afirma que alguns pacientes com histórico de infarto ou angina chegam a ser orientados a evitar assistir a partidas decisivas.

"Tenho pacientes que sofrem muito durante os jogos. Em alguns casos, peço que evitem assistir, porque um momento que deveria ser de festa pode acabar se transformando em uma emergência para toda a família."

Apesar dos alertas médicos, o cardiologista demonstrou confiança na campanha da Seleção Brasileira.

"Eu sempre sou otimista. Sou Brasil em qualquer situação. Acredito que vamos passar pela Noruega e continuo com esperança de que este seja o ano do hexacampeonato."

Dr. Israel reforçou que a principal recomendação para os torcedores é manter os exames em dia e cuidar da saúde durante todo o ano.

"O mais importante é manter os exames em dia para que a gente possa ter uma boa saúde, não só durante os jogos do Brasil, mas no dia a dia também."

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