Psicóloga destaca como tradições juninas ajudam na construção da identidade emocional e no bem-estar coletivo em meio às mudanças dos tempos
O período junino, marcado por celebrações, encontros familiares e manifestações culturais, também pode ser um importante gatilho de memórias afetivas e fortalecimento emocional. O tema foi debatido no quadro “Saúde Mental em Pauta”, com a psicóloga e neuropsicóloga Olívia Magalhães, que destacou como as tradições familiares influenciam diretamente na formação da identidade emocional.
Durante a entrevista, a especialista relembrou costumes típicos das festas juninas no interior e ressaltou a diferença entre gerações.
“Quando a gente olha para trás, lembra das ruas decoradas, das comidas na porta de casa, das fogueiras e das quadrilhas. Isso constrói quem somos emocionalmente”, afirmou.
Ela explicou que essas experiências não são apenas lembranças, mas referências afetivas que acompanham o indivíduo ao longo da vida.
“Essas tradições permanecem dentro da gente. O cheiro do milho, da canjica, do bolo… tudo isso ativa a memória e a emoção”, destacou.
Para Olívia, os festejos juninos vão além da comemoração: representam um momento de reconexão familiar e social. Segundo ela, a convivência em grupo e o compartilhamento de experiências fortalecem laços e contribuem para o equilíbrio emocional.
“Quando a família se reúne, cada um leva algo, compartilha, convive. Isso influencia de modo muito positivo na nossa saúde mental”, explicou.
A psicóloga também chamou atenção para a mudança no formato das festas ao longo do tempo, especialmente por questões de segurança e rotina urbana, o que, segundo ela, reduziu algumas vivências comunitárias mais espontâneas.
“Houve uma perda dessa convivência nas ruas, mas as famílias ainda tentam resgatar esse momento dentro de casa”, observou.
Outro ponto destacado foi o impacto das memórias afetivas na vida adulta. A especialista afirmou que é comum sentir saudade de épocas consideradas mais simples, justamente pelo vínculo emocional criado naquele período.
“A gente sente saudade não das coisas, mas das conexões que vivemos com as pessoas”, disse.
Ela reforçou ainda a importância de manter vivas as tradições com as novas gerações, permitindo que crianças e adolescentes participem das celebrações.
“Decorar a casa, colocar bandeirolas, cozinhar juntos… tudo isso ajuda a construir memórias que vão ficar para sempre”, afirmou.
A psicóloga destacou o trabalho da Clínica Acolher, que atua com atendimento multidisciplinar em saúde mental e desenvolvimento humano.
No espaço, são oferecidos serviços de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, psiquiatria, neuropediatria e psicopedagogia. A clínica está localizada na Rua São Cristóvão, bairro Capuchinhos, e atende famílias em diferentes fases do desenvolvimento.