25/07/2026
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Hanseníase pode causar feridas anos após a cura e aumentar risco de amputações, alerta especialista

Especialista Áquilla Chahinne explica como a neuropatia causada pela doença pode provocar perda de sensibilidade, feridas e até amputações mesmo anos após a cura.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quinta-feira, 16 de julho de 2026 às 19:48
Imagem de Hanseníase pode causar feridas anos após a cura e aumentar risco de amputações, alerta especialista

A hanseníase, doença conhecida durante séculos como lepra, ainda representa um importante problema de saúde pública no Brasil. Em 2024, mais de 22 mil novos casos foram identificados no país. Apesar de ter cura, a doença pode deixar sequelas nos nervos e provocar feridas mesmo anos após o fim do tratamento.

O alerta foi feito pela especialista em tratamento de feridas Áquilla Chahinne, segundo ela, muitos pacientes desenvolvem alterações na sensibilidade e deformidades nos pés e nas mãos como consequência da doença.

“Mesmo após o tratamento, o dano nos nervos pode permanecer. A doença pode continuar progredindo, não mais infectar outras pessoas, mas como sequela dos nervos”, explicou.

A hanseníase é causada pelo Mycobacterium leprae, também conhecido como bacilo de Hansen. A transmissão ocorre principalmente por contato próximo e prolongado com pessoas infectadas que ainda não iniciaram o tratamento. De acordo com Áquilla, o diagnóstico precoce é fundamental para reduzir o risco de sequelas.

“Qualquer mancha na pele, mais esbranquiçada, com as bordas muitas vezes mais avermelhadas, que não tem sensibilidade, é um sinal de alerta para procurar uma unidade de saúde”, orientou.

A especialista destacou que a perda da sensibilidade é uma das principais complicações da hanseníase. Sem sentir dor, calor ou frio, o paciente pode sofrer pequenos ferimentos e não perceber o problema. Com o passar do tempo, a lesão pode evoluir para uma infecção grave.

“São machucados simples e que, por não perceberem, não terem essa sensibilidade, acabam agravando e muitas vezes levam à amputação”, afirmou.

Feridas podem surgir anos depois da cura

Segundo Áquilla, a sequela nos nervos pode permanecer por muitos anos e provocar o aparecimento de feridas mesmo após a cura da hanseníase. Ela relatou que a clínica onde atua acompanha pacientes que tiveram a doença há uma ou duas décadas.

“Muitos pacientes tiveram hanseníase há dez ou vinte anos e, depois de todo esse tempo, vieram a desenvolver essas alterações”, disse.

Os pés estão entre as regiões mais afetadas. A deformidade causada pela neuropatia pode modificar a pisada e criar pontos de pressão. O processo pode começar com um calo e evoluir para uma úlcera.

“Além da perda da sensibilidade, ainda se formam pontos de pressão nos pés. O paciente começa a formar calo, esse calo evolui para uma úlcera”, explicou.

Risco de amputação

A especialista também alertou para o risco de amputação em casos de feridas não identificadas e tratadas corretamente. Segundo ela, a situação é semelhante à neuropatia diabética, quando o paciente não percebe que sofreu um ferimento.

“Recebemos um paciente que teve um parafuso perfurando o pé. Ele não percebeu. O parafuso ficou alojado e, quando ele veio perceber, a ferida já estava com infecção. Ele perdeu o dedo”, relatou.

Para Áquilla, o acompanhamento especializado pode ajudar tanto na prevenção quanto no tratamento das lesões. A avaliação da sensibilidade, o cuidado com calosidades e unhas e a indicação de calçados adaptados estão entre as medidas preventivas.

“Tratar feridas não é lavar com soro e colocar uma gaze. A gente precisa avaliar o paciente, cuidar desse paciente e entender as necessidades dele”, destacou.

A especialista reforçou ainda que o tratamento especializado pode fazer diferença na cicatrização e na qualidade de vida dos pacientes.

“É muito mais possível que esse ferimento esteja sendo tratado de forma errada do que, de fato, ele não tenha possibilidade de cicatrizar”, afirmou.

A orientação para quem apresenta manchas com alteração de sensibilidade ou feridas que não cicatrizam é procurar uma unidade de saúde e buscar avaliação profissional. O tratamento da hanseníase é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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