24/07/2026
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Implante anual de Ozempic: depois das canetas, chips são a nova promessa para tratar diabetes e obesidade

Nutróloga Aline Jardim explica como funciona a tecnologia, alerta para riscos de medicamentos irregulares e reforça que tratamento deve ser acompanhado por médico

Victória SilvaRedação: Victória Silva
sábado, 18 de julho de 2026 às 18:34
Imagem de Implante anual de Ozempic: depois das canetas, chips são a nova promessa para tratar diabetes e obesidade
Celso Pipo/Getty Images

Depois das chamadas “canetas emagrecedoras”, uma nova possibilidade começa a chamar a atenção no tratamento do diabetes e da obesidade: o uso de medicamentos por meio de implantes de longa duração. O tema foi discutido pela nutróloga Aline Jardim durante o quadro Saúde em Pauta.

A especialista explicou que a tecnologia ainda está em fase de estudos e não está disponível para uso clínico. A Nova Nordisk, fabricante da semaglutida, já iniciou pesquisas para avaliar a possibilidade de administrar a molécula por meio de implantes. Segundo Aline, o objetivo é garantir uma liberação mais estável do medicamento no organismo.

“O implante é uma via de administração de medicamento. E ela, sim, é maravilhosa”, afirmou a nutróloga.

De acordo com Dra. Aline, uma das principais vantagens da tecnologia seria evitar os chamados “picos e vales” provocados por algumas formas de administração dos medicamentos. Nas canetas injetáveis, por exemplo, a dose é administrada e vai diminuindo ao longo do tempo.

“Quando você administra a canetinha, você coloca uma dose alta ali para aquele paciente e ela vai diminuindo conforme vai passando o tempo. Então, o paciente vive em picos quando administra e em vales quando vai caindo”, explicou.

A nutróloga destacou que o implante poderia liberar a medicação de forma contínua e mais estável. A tecnologia estudada não seria um “chip” semelhante ao utilizado em celulares, mas um implante subcutâneo com sistemas específicos de liberação do medicamento.

“Chip é um nome muito chulo, muito vulgar para algo que exige tanto estudo e tanta dedicação”, disse Aline.

Segundo a médica, existem diferentes formatos de implantes e mecanismos de liberação. Alguns podem funcionar como pequenos comprimidos que se dissolvem gradualmente. Outros utilizam tubos de material específico, com liberação da substância por meio de um processo de osmose.

Dra. Aline reforçou que o implante de semaglutida ainda não está disponível para pacientes. A tecnologia precisa passar por novas etapas de pesquisa, incluindo estudos em humanos e avaliações de segurança e eficácia.

Caso seja aprovada, a indicação deverá ser feita por um médico, com critérios clínicos específicos.

“Quem vai prescrever será o médico e quem colocará será o médico. Com certeza, a indicação terá que ter um motivo real e concreto para estar utilizando”, afirmou.

A nutróloga acredita que pacientes com diabetes e obesidade poderão estar entre os principais grupos avaliados para o uso da tecnologia, caso ela seja liberada.

A especialista também destacou que o implante poderia facilitar a rotina de pessoas que precisam utilizar medicamentos de forma contínua. Entre os desafios atuais estão a necessidade de aplicações periódicas e o armazenamento correto das canetas, que precisam ser mantidas em temperatura adequada.

“São vias que facilitam muito a vida daquele paciente que realmente precisa”, declarou.

Dra. Aline lembrou ainda que a estabilidade da medicação poderia ser uma alternativa para pacientes que precisam manter o controle da doença por longos períodos.

“O custo-benefício é você ter uma molécula estável dentro do seu corpo, que você sabe que vai estar liberando diariamente a mesma dose”, explicou.

Durante a entrevista, a nutróloga também chamou atenção para os riscos de medicamentos que entram no país de maneira irregular. Segundo ela, produtos transportados sem as condições adequadas de armazenamento podem perder a segurança e a eficácia.

“Para você estar seguro, precisa utilizar em clínicas que você sabe qual é o produto que está utilizando, em farmácias de manipulação brasileiras que têm todos os registros da Anvisa ou nas farmácias, onde você compra o produto da indústria farmacêutica”, orientou.

A médica explicou que clínicas e farmácias são submetidas a fiscalização e precisam comprovar a origem dos produtos, além de manter registros de temperatura e armazenamento.

Apesar das novas tecnologias e dos avanços no tratamento da obesidade e do diabetes, Dra. Aline reforçou que o uso de medicamentos precisa estar associado a mudanças no estilo de vida.

“Nós precisamos utilizar hoje o que temos no mercado, mas sempre lembrando que tudo isso está junto com uma alimentação equilibrada. A gente precisa reaprender a comer”, afirmou.

A nutróloga também destacou a importância da atividade física e alertou para a perda de massa muscular durante processos de emagrecimento.

“O que sustenta o teu peso é teu músculo. Se nessa perda de peso você perdeu gordura e músculo, quando parar a medicação, muito provavelmente você reganhará tudo que emagreceu”, explicou.

A orientação, segundo a médica, é que qualquer medicamento seja utilizado com prescrição e acompanhamento profissional.

“Todo medicamento deve ser indicado por um médico. Não existe outra maneira de você usar um medicamento sem indicação médica”, concluiu Aline Jardim.

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