08/06/2026
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De Olho na Cidade
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4 min de leitura

Longevidade com qualidade de vida é novo desafio da ciência da saúde, destaca especialista

Especialista em emagrecimento e saúde metabólica aponta sono, alimentação, atividade física e espiritualidade como pilares fundamentais para viver mais e melhor

Redação: Victória Silva
quarta-feira, 06 de maio de 2026 às 20:14
Um homem de pele clara, usando óculos de grau e um traje social com blazer preto e camisa branca, sorri para a câmera. Ele está em um estúdio de rádio, com uma parede azul texturizada ao fundo. Atrás dele, há um monitor de TV exibindo o logotipo "JORNAL DO MEIO-DIA", com a inscrição "Princesa FM" logo abaixo.
Foto: De Olho na Cidade

A busca por uma vida longa, mas sobretudo com qualidade, foi o tema central da entrevista com o médico nefrologista/nutrologista e especialista em emagrecimento e saúde metabólica, Dr. Edvaldo Neto, durante participação no Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM. O profissional destacou que a medicina moderna já não trabalha apenas com o conceito de “viver mais”, mas sim de “viver melhor”.

Segundo o especialista, a expectativa de vida da população aumentou significativamente nas últimas décadas, mas isso não significa, necessariamente, mais saúde.

“Em 1940, a expectativa de vida no Brasil era de cerca de 45 anos. Hoje estamos em torno de 76 anos. Mas a grande pergunta é: estamos vivendo mais com qualidade de vida?”, questionou o médico.

Ele explica que a ciência da longevidade, desenvolvida com mais intensidade a partir dos anos 1990, busca justamente antecipar a prevenção de doenças antes que elas se instalem.

“O nosso grande desafio hoje não é mais a expectativa de vida, mas a expectativa de saúde”, afirmou.

Dr. Edvaldo chamou atenção para o impacto das doenças crônicas na mortalidade atual. Segundo ele, cerca de 50% das mortes estão relacionadas a doenças cardiovasculares e câncer.

“Hoje, 30% das mortes são por doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, e cerca de 20% por câncer. E os principais fatores de risco estão ligados ao estilo de vida”, explicou.

Entre esses fatores, ele destacou obesidade, diabetes, hipertensão, sedentarismo, estresse e má alimentação.

“O básico, que muitas vezes é negligenciado na correria do dia a dia, está fazendo falta. E a conta está chegando”, alertou.

Questionado sobre qual seria o pilar mais importante da saúde, o médico apontou o sono como elemento central.

“Talvez o sono seja o pilar mais importante ou o que mais impacta na longevidade”, disse.

Ele explicou que a produção da melatonina, hormônio responsável pela regulação do sono, ocorre principalmente antes da meia-noite e é fundamental para a reparação celular.

“O ideal é estar dormindo por volta das 23h, porque é nesse período que acontece a maior produção de melatonina e a restauração celular”, destacou.

Segundo o médico, a falta de sono de qualidade pode afetar diretamente o equilíbrio hormonal e aumentar os níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse.

Dr. Edvaldo também chamou atenção para o impacto do uso excessivo de telas na qualidade do sono.

“A luz azul dos celulares e computadores inibe a produção de melatonina. Quinze minutos de tela podem inibir até uma hora de produção do hormônio”, explicou.

Ele recomenda a chamada “higiene do sono”, que inclui evitar telas pelo menos 40 a 45 minutos antes de dormir.

“O ideal é desligar televisão, celular e computador antes de dormir e reduzir a luminosidade do ambiente”, orientou.

Saúde vai além do físico: mente e espiritualidade também contam

O especialista ressaltou ainda que a medicina da longevidade moderna considera não apenas o corpo, mas também a saúde mental e espiritual.

“Nós temos três saúdes: física, mental e espiritual. O equilíbrio entre elas é fundamental”, afirmou.

Ele citou estudos realizados em chamadas “zonas azuis” — regiões do mundo onde há maior concentração de pessoas centenárias — para reforçar a importância da espiritualidade e do propósito de vida.

“O que mais se repete nesses lugares é a fé, o propósito e o pertencimento à comunidade. Isso reduz estresse, ansiedade e melhora a qualidade de vida”, explicou.

Dr. Edvaldo destacou ainda o conceito japonês do “Ikigai”, que representa a razão de viver e acordar todos os dias.

“Ter propósito de vida diminui depressão, reduz ansiedade e ajuda a controlar o estresse. Isso impacta diretamente na saúde”, afirmou.

O médico também defendeu uma abordagem mais ampla na prática clínica, integrando diferentes áreas da saúde.

“A medicina integrativa não substitui a medicina tradicional, ela soma. É olhar o paciente de forma completa: física, mental e espiritual”, disse.

Segundo ele, muitos pacientes apresentam exames normais, mas ainda assim relatam sintomas como cansaço e falta de energia.

“Se você olhar com atenção todos os pilares da saúde, sempre há algo que pode estar interferindo na qualidade de vida”, concluiu.

Dr. Edvaldo Neto atende no Instituto Vitality, em Feira de Santana, e reforça que o cuidado com a saúde deve começar pelas escolhas diárias.

“O grande objetivo é viver mais, com saúde, cognição preservada e qualidade de vida”, finalizou.

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