Grupo que começou como brincadeira entre amigos virou símbolo cultural do bairro, ganhou organização própria e hoje leva a musicalidade da Baraúnas para grandes eventos de Feira de Santana
O Bando da Baraúnas se consolidou como um dos principais representantes culturais do bairro Baraúnas dentro do tradicional Bando Anunciador de Feira de Santana. Desde o retorno da festa, em 2007, o grupo cresceu em número de participantes, organização e reconhecimento popular, tornando-se referência pela animação e pela forte identidade cultural ligada ao samba, à percussão e às tradições do bairro.
Hoje, além da participação no Bando Anunciador, o grupo mantém atividades durante o ano, possui sede própria, músicas gravadas em estúdio e chega até mesmo a participar da Micareta de Feira de Santana, ampliando sua presença no calendário cultural do município.
A professora e moradora do bairro, Flávia Silva, relembrou que o início do Bando da Baraúnas foi marcado pela espontaneidade, surgindo como uma brincadeira entre amigos após o retorno do evento.
“Quando nós iniciamos os primeiros momentos do Bando da Baraúnas, nós começamos como uma brincadeira, um grupo de amigos e amigas. A gente se reunia, se fantasiava, fazia algumas plaquinhas, faixas e fantasias peculiares do nosso grupo”, contou.
Segundo ela, a iniciativa foi ganhando adesão da comunidade e se transformando em uma expressão mais forte da identidade cultural da Baraúnas.
“A comunidade foi vendo essa movimentação e foi se organizando enquanto um bando mais identitário do bairro, com essa questão da percussão, do samba e dessa identidade musical que a Baraúnas tem. Aí chegaram os compositores e fomos fortalecendo essa identidade do bairro através das músicas e dos movimentos”, afirmou.

O coordenador do grupo, Edilson Barbosa, destacou o papel dos músicos da comunidade na construção do sucesso do bando.
“Quando juntou uma galera aqui do bairro, surgiu a ideia de fazer um bando. Fui buscando amizade, juntando o pessoal daqui, que é um celeiro de músico, e criamos os da Baraúnas”, relatou.
Edilson acredita que o crescimento do coletivo foi fruto do esforço conjunto dos moradores.
“Hoje se tornou esse mundo de gente que acompanha nosso bando. Graças a Deus avançamos muito, com nossas músicas e nosso trabalho. Esse bando tem um pedaço de cada um aqui do bairro, de cada componente que ajudou desde o começo e continua ajudando”, declarou.
Liderança comunitária no bairro, Edcarlos Venâncio relembrou que a iniciativa organizada do Bando da Baraúnas começou quando moradores decidiram levar uma faixa representando a comunidade para o cortejo do Bando Anunciador.
“Naquele período eram aproximadamente quinze pessoas. A gente levou uma faixa representando a Baraúnas e encontrou uns rapazes tocando instrumentos. Perguntamos se poderíamos seguir junto e dali nasceu a ideia de trazer nossos próprios músicos no ano seguinte”, explicou.
Segundo Edcarlos, o grupo passou a ganhar forma com a participação de moradores ligados à música e à cultura afro.
“Levamos a ideia para Edilson, que já tinha um bloco afro. No ano seguinte ele emprestou indumentárias e começamos a tomar um rumo maior. Hoje o bando cresceu tanto que participa do Bando Anunciador e também já saiu várias vezes na Micareta”, afirmou.
Mesmo com a evolução e a profissionalização do grupo, Edcarlos defende a preservação das raízes culturais do movimento.
“O bando é fantasia, é expressão cultural. Nossa marca sempre foi o chapéu de palha e a camisa xadrez. Mesmo com as camisas oficiais, eu ainda faço questão de manter essa tradição do festejo popular”, concluiu.

O cantor e multiinstrumentista Márcio Ribeiro, o Márcio Black, também participou dos primeiros anos do grupo e detalhou como o movimento começou a ganhar forma.
“Logo quando o bando retornou, um grupo de amigos resolveu participar. Na época eram umas dez ou doze pessoas, com no máximo três instrumentos. Era só uma brincadeira, ainda nem existia o nome Bando da Baraúnas”, lembrou.
Márcio explicou que, a partir do segundo ano, houve uma união entre grupos do próprio bairro e o crescimento passou a ser natural.
“No outro ano já saiu todo mundo junto e o bando só fez evoluir. Quando aumentou a quantidade de gente, veio a ideia da camisa quadriculada, do chapéu de palha e do carrinho de som. O bando cresceu pela musicalidade, pelo samba de roda e por abraçar pessoas de outros bairros”, disse.
*Com informações do repórter JP Miranda