09/06/2026
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Meu Bairro em Pauta: Bando da Baraúnas cresce, fortalece cultura local e vira tradição no Bando Anunciador

Grupo que começou como brincadeira entre amigos virou símbolo cultural do bairro, ganhou organização própria e hoje leva a musicalidade da Baraúnas para grandes eventos de Feira de Santana

Victória SilvaRedação: Victória Silva
terça-feira, 19 de maio de 2026 às 08:58
desfile de rua durante o dia em uma via pública comercial. No centro da imagem, um grupo de pessoas caminha em direção ao observador. Em destaque, uma pessoa segura um grande cartaz retangular preto com letras amarelas onde se lê: "BANDO DAS BARAÚNAS"

O Bando da Baraúnas se consolidou como um dos principais representantes culturais do bairro Baraúnas dentro do tradicional Bando Anunciador de Feira de Santana. Desde o retorno da festa, em 2007, o grupo cresceu em número de participantes, organização e reconhecimento popular, tornando-se referência pela animação e pela forte identidade cultural ligada ao samba, à percussão e às tradições do bairro.

Hoje, além da participação no Bando Anunciador, o grupo mantém atividades durante o ano, possui sede própria, músicas gravadas em estúdio e chega até mesmo a participar da Micareta de Feira de Santana, ampliando sua presença no calendário cultural do município.

A professora e moradora do bairro, Flávia Silva, relembrou que o início do Bando da Baraúnas foi marcado pela espontaneidade, surgindo como uma brincadeira entre amigos após o retorno do evento.

“Quando nós iniciamos os primeiros momentos do Bando da Baraúnas, nós começamos como uma brincadeira, um grupo de amigos e amigas. A gente se reunia, se fantasiava, fazia algumas plaquinhas, faixas e fantasias peculiares do nosso grupo”, contou.

Segundo ela, a iniciativa foi ganhando adesão da comunidade e se transformando em uma expressão mais forte da identidade cultural da Baraúnas.

“A comunidade foi vendo essa movimentação e foi se organizando enquanto um bando mais identitário do bairro, com essa questão da percussão, do samba e dessa identidade musical que a Baraúnas tem. Aí chegaram os compositores e fomos fortalecendo essa identidade do bairro através das músicas e dos movimentos”, afirmou.

O coordenador do grupo, Edilson Barbosa, destacou o papel dos músicos da comunidade na construção do sucesso do bando.

“Quando juntou uma galera aqui do bairro, surgiu a ideia de fazer um bando. Fui buscando amizade, juntando o pessoal daqui, que é um celeiro de músico, e criamos os da Baraúnas”, relatou.

Edilson acredita que o crescimento do coletivo foi fruto do esforço conjunto dos moradores.

“Hoje se tornou esse mundo de gente que acompanha nosso bando. Graças a Deus avançamos muito, com nossas músicas e nosso trabalho. Esse bando tem um pedaço de cada um aqui do bairro, de cada componente que ajudou desde o começo e continua ajudando”, declarou.

Liderança comunitária no bairro, Edcarlos Venâncio relembrou que a iniciativa organizada do Bando da Baraúnas começou quando moradores decidiram levar uma faixa representando a comunidade para o cortejo do Bando Anunciador.

“Naquele período eram aproximadamente quinze pessoas. A gente levou uma faixa representando a Baraúnas e encontrou uns rapazes tocando instrumentos. Perguntamos se poderíamos seguir junto e dali nasceu a ideia de trazer nossos próprios músicos no ano seguinte”, explicou.

Segundo Edcarlos, o grupo passou a ganhar forma com a participação de moradores ligados à música e à cultura afro.

“Levamos a ideia para Edilson, que já tinha um bloco afro. No ano seguinte ele emprestou indumentárias e começamos a tomar um rumo maior. Hoje o bando cresceu tanto que participa do Bando Anunciador e também já saiu várias vezes na Micareta”, afirmou.

Mesmo com a evolução e a profissionalização do grupo, Edcarlos defende a preservação das raízes culturais do movimento.

“O bando é fantasia, é expressão cultural. Nossa marca sempre foi o chapéu de palha e a camisa xadrez. Mesmo com as camisas oficiais, eu ainda faço questão de manter essa tradição do festejo popular”, concluiu.

O cantor e multiinstrumentista Márcio Ribeiro, o Márcio Black, também participou dos primeiros anos do grupo e detalhou como o movimento começou a ganhar forma.

“Logo quando o bando retornou, um grupo de amigos resolveu participar. Na época eram umas dez ou doze pessoas, com no máximo três instrumentos. Era só uma brincadeira, ainda nem existia o nome Bando da Baraúnas”, lembrou.

Márcio explicou que, a partir do segundo ano, houve uma união entre grupos do próprio bairro e o crescimento passou a ser natural.

“No outro ano já saiu todo mundo junto e o bando só fez evoluir. Quando aumentou a quantidade de gente, veio a ideia da camisa quadriculada, do chapéu de palha e do carrinho de som. O bando cresceu pela musicalidade, pelo samba de roda e por abraçar pessoas de outros bairros”, disse.

*Com informações do repórter JP Miranda

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