Morador das Baraúnas desde 1970, radialista e cinegrafista aposentado relembra a evolução do bairro, destaca a força cultural e esportiva da comunidade
Morador das Baraúnas desde 1970, o radialista e cinegrafista aposentado Messias Teles acompanha de perto as transformações do bairro ao longo das últimas décadas. Natural do distrito de Ipecaetá, ele chegou à comunidade ainda jovem e viu de perto o desenvolvimento social, esportivo, cultural e comercial da localidade, que hoje considera uma das mais importantes da zona norte de Feira de Santana.
Durante entrevista ao projeto Meu Bairro em Pauta, Messias destacou a importância da iniciativa de ouvir os moradores e registrar as histórias das comunidades feirenses.
“Primeiro eu quero parabenizar Jorge Biancchi por essa iniciativa de dar voz e vez aos moradores dos bairros de Feira de Santana. Isso é muito importante para valorizar a história do nosso povo”, afirmou.
Messias contou que chegou às Baraúnas após a morte do pai, em 1970, quando sua família deixou Ipecaetá para começar uma nova vida em Feira de Santana. Desde então, criou um vínculo definitivo com o bairro.
“Sou natural de Ipecaetá, filho de agricultores. Quando meu pai faleceu, viemos para Feira e fomos morar na Baraúna. E de lá eu pretendo continuar até o último dia da minha vida. É um bairro que eu gosto, onde vivi minha adolescência, minha juventude e continuo até hoje com minha família”, relatou.
Segundo ele, apesar das dificuldades enfrentadas pelos moradores ao longo dos anos, as Baraúnas sempre foram marcadas pela força da comunidade.
“É um bairro de pessoas sofridas, mas também de cidadãos de bem, trabalhadores, pessoas que lutam por dias melhores. Eu aprendi muito ali com meus colegas, com os moradores”, destacou.
Na avaliação de Messias, as Baraúnas sempre tiveram forte ligação com a cultura e o esporte, mas atualmente também vêm se consolidando como um polo comercial em expansão.
“A Baraúnas é um bairro cultural, esportivo e hoje está se despontando também no comércio. Tem muitos empreendimentos crescendo e se expandindo a cada dia”, observou.
Entre as lembranças da juventude, ele citou a influência do radialista Erivaldo Cerqueira, um dos nomes mais conhecidos do bairro e homenageado no Parque Municipal Erivaldo Cerqueira.
“Eu cresci ouvindo Erivaldo Cerqueira, que foi uma figura muito importante para o bairro. O parque hoje leva o nome dele, então você vê a dimensão que esse profissional teve para nossa comunidade”, disse.
Antes de se tornar comunicador, Messias trabalhou por mais de três décadas na indústria metalúrgica, atuando como torneiro mecânico na fabricação de panelas de alumínio. O interesse pelo rádio surgiu a partir de uma experiência comunitária no próprio bairro.
“Eu sou torneiro mecânico, trabalhei mais de trinta anos na indústria. Depois comecei na Baraúna FM, uma rádio comunitária criada por Eliel Junior e pelo policial militar Aroeira. Foi ali que tomei gosto pelo rádio”, relembrou.
A partir daí, construiu trajetória no jornalismo local, passando por emissoras como Rádio Betel, Rádio Cidade, além de atuar ao lado de Jorge Biancchi no rádio feirense e no jornal Folha do Estado.
“Depois fui para a TV Aratu, onde trabalhei muitos anos como cinegrafista. Hoje sou aposentado, mas continuo fazendo algumas matérias e ajudando no jornalismo de Feira”, contou.
Além da atuação na comunicação, Messias também mantém participação ativa nas discussões sobre melhorias para o bairro. Ex-atleta do Esporte Clube Riachuelo, ele acompanha as demandas da comunidade e reconhece avanços, mas acredita que as Baraúnas ainda precisam de maior atenção do poder público.
“Recentemente o prefeito esteve lá anunciando licitação para resolver os alagamentos das Baraúnas e do Campo Limpo, então estamos acompanhando. O bairro precisa de mais atenção na limpeza, iluminação e infraestrutura”, afirmou.

Para ele, a localização estratégica faz das Baraúnas um corredor importante da cidade.
“Hoje as Baraúnas ligam toda aquela região do George Américo, Campo Limpo, Morada das Árvores ao centro da cidade. Todo mundo passa por ali. É um bairro que cresceu muito e continua se desenvolvendo”, concluiu.

*Com informações do repórter JP Miranda