IPCA subiu 0,07% em julho, com queda nos preços dos alimentos, mas alta da energia elétrica e das despesas de habitação continua pressionando o orçamento das famílias.
A inflação oficial do Brasil desacelerou em julho. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,07% no mês, abaixo dos 0,16% registrados em junho.
No acumulado de 2026, a inflação chega a 3,44%. Já nos 12 meses encerrados em julho, o índice acumulado é de 4,44%.
Para explicar o que os números representam na prática, especialmente para os consumidores de Feira de Santana, o economista e professor universitário Francisco Queiroz destacou que o resultado traz um cenário mais favorável para o orçamento das famílias.
“O resultado da inflação de julho traz uma notícia positiva para o consumidor brasileiro e abre uma perspectiva um pouco mais favorável para a economia nos próximos meses.”
Segundo o economista, a inflação de julho foi a menor para o mês desde 2022. Ele ressaltou, porém, que a desaceleração não significa que os preços tenham diminuído de forma generalizada.
“Uma inflação de 0,07% não quer dizer que os preços diminuíram de maneira geral. Significa dizer que continuaram a aumentar, mas aumentaram muito pouco.”
Um dos principais fatores que contribuíram para o resultado foi o grupo Alimentação e bebidas, que apresentou queda de 0,67% em julho. Entre os produtos que tiveram redução de preços estão itens importantes para o consumo cotidiano das famílias, como batata e café.
O grupo Vestuário também registrou queda, de 0,66%, ajudando a conter o índice geral.
Para Francisco, a redução nos preços dos alimentos tem um impacto significativo para a população de menor renda.
“O principal alívio veio do grupo de alimentos, muito importante para a classe trabalhadora. Alimentos e bebidas recuaram 0,67%.”
Na avaliação do economista, alimentação e transporte estão entre os itens que mais influenciam o orçamento das famílias trabalhadoras de Feira de Santana.
Apesar do alívio nos preços dos alimentos, outros setores continuaram pressionando o bolso do consumidor. O grupo Habitação teve a maior alta entre os segmentos analisados, com avanço de 0,99%.
O principal impacto veio da energia elétrica residencial, que subiu 3,09% em julho, contra uma alta de 1,53% em junho. Já o grupo Saúde e cuidados pessoais registrou alta de 0,40%.
“Estamos tendo um alívio nos alimentos, mas estamos perdendo nas questões das contas de habitação. Medicamentos, energia, saúde e aluguel pesam muito na renda do trabalhador de classe mais baixa.”
O economista explica ainda que o impacto da inflação varia de acordo com o perfil de cada família. Para os consumidores de Feira de Santana, a percepção pode ser mais evidente nas compras de supermercado e no abastecimento dos veículos, mas parte dessa redução pode ser compensada pelo aumento de outras despesas.
“Para uma família de Feira de Santana, o efeito mais perceptível pode aparecer nas compras do mercado e no abastecimento do veículo. Essa combinação positiva pode abrir um pequeno espaço para o orçamento doméstico, mas parte desse ganho também poderá ser absorvida pela conta de energia, pelos gastos de saúde e pelos serviços.”
Francisco também avaliou que o comportamento da inflação pode abrir espaço para uma possível redução da taxa básica de juros nas próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).
Segundo ele, uma eventual queda dos juros poderia favorecer investimentos e estimular a atividade econômica.
“Este resultado de julho indica que, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, há grandes possibilidades de um corte ainda maior na taxa de juros, abrindo espaço para o investimento do setor imobiliário, para o investimento de empresas e para a geração de emprego e renda.”
O economista lembrou, no entanto, que o IBGE não calcula o IPCA especificamente para Feira de Santana. Para a região, Salvador é utilizada como referência na divulgação do índice.