Especialista destaca que quedas frequentes não são normais e podem indicar problemas de saúde que precisam de investigação médica e fisioterapêutica.
As quedas representam uma das principais causas de lesões graves, especialmente entre idosos, e podem ser evitadas com medidas simples de prevenção. O alerta é do fisioterapeuta Vinícius Oliveira, da Reabserv, que destacou a importância de identificar fatores de risco, adaptar o ambiente doméstico e buscar avaliação especializada diante de episódios recorrentes.
Segundo o especialista, embora qualquer pessoa possa sofrer uma queda, é preciso diferenciar acidentes ocasionais das chamadas quedas da própria altura, quando a pessoa perde o equilíbrio estando em pé.
"Não é normal uma pessoa cair várias vezes ao longo do ano. Se isso acontece, é um sinal de alerta e precisa ser investigado", afirmou.
Vinícius explica que diversos problemas de saúde podem favorecer esse tipo de acidente. Entre eles estão doenças cardíacas que provocam arritmias e tonturas, labirintite, diabetes com neuropatia periférica, doenças neurológicas, perda da propriocepção — capacidade do corpo de perceber sua posição no espaço — e até alterações cognitivas, como déficit de atenção e memória.
"O idoso é um importante grupo de risco, mas não é o único. Existem vários fatores que podem levar ao desequilíbrio e aumentar a chance de uma queda", ressaltou.
O fisioterapeuta também chamou atenção para situações envolvendo crianças. Segundo ele, quedas frequentes podem estar relacionadas não apenas a alterações motoras, mas também a transtornos de atenção, que devem ser avaliados por profissionais especializados.
Além das condições clínicas, o ambiente doméstico exerce papel fundamental na prevenção. Banheiros sem barras de apoio, tapetes escorregadios, vasos sanitários muito baixos, pisos molhados, móveis mal posicionados e até tecidos espalhados pela casa podem se transformar em armadilhas.
"A gente precisa olhar para a acessibilidade da casa. Muitas vezes o risco está no ambiente e pode ser eliminado com mudanças simples", explicou.
O especialista recomenda instalar barras de apoio, utilizar bancos para banho quando necessário, evitar obstáculos nos corredores, escolher calçados adequados e manter os ambientes organizados, principalmente durante a noite.
Outro ponto destacado foi o treinamento dos cuidadores de idosos ou pessoas com limitações físicas.
"Não basta ter um ambiente acessível. Quem auxilia esse paciente também precisa estar preparado para fazer transferências, ajudar no banho e realizar os movimentos de forma segura."
Vinícius destacou que o tratamento não deve se limitar às consequências da queda, como uma fratura. É fundamental descobrir o que provocou o acidente.
Ele citou o exemplo de pacientes que sofreram fratura de fêmur após uma queda aparentemente sem motivo, mas que, posteriormente, descobriram que haviam apresentado uma arritmia cardíaca antes do acidente.
"Quando alguém diz que caiu do nada, é preciso investigar. Se a causa não for identificada, a queda pode acontecer novamente."
A avaliação fisioterapêutica permite identificar alterações no equilíbrio, na força muscular, na mobilidade, no sistema vestibular e em outras funções que influenciam diretamente na estabilidade corporal. Quando necessário, o paciente também é encaminhado para outros especialistas, como cardiologistas, neurologistas e otorrinolaringologistas.
O fisioterapeuta reforçou que a prevenção deve fazer parte da rotina familiar.
"Reserve alguns minutos antes de dormir para organizar a casa, retirar obstáculos e verificar se os ambientes estão seguros. Prevenir sempre será o melhor caminho."
Ele também orienta que, em caso de queda, a pessoa não deve ser movimentada sem necessidade, principalmente quando houver suspeita de fratura, sendo importante acionar o atendimento de urgência quando necessário e procurar avaliação médica para identificar a causa do acidente.