No Dia Internacional do Homem, Dr. João Batista de Cerqueira reforçou a importância da prevenção, do acompanhamento médico e criticou o uso indiscriminado de hormônios para fins estéticos.
No Dia Internacional do Homem, celebrado nesta terça-feira (15), a saúde masculina voltou a ser tema de debate. Em entrevista ao programa, o médico urologista João Batista de Cerqueira alertou para a resistência histórica dos homens em procurar atendimento médico e reforçou a importância da prevenção e do acompanhamento profissional.
Segundo o especialista, a ideia cultural de que o homem é mais forte e estaria menos sujeito a doenças ainda influencia diretamente o comportamento masculino.
“O homem culturalmente tem buscado menos atenção à sua saúde. Ainda perdura na cultura de todos nós essa ideia de que o homem é mais forte, mais poderoso e está imune a agravos e doenças, o que não é verdade”, explicou.
Para o urologista, esse cenário vem mudando gradualmente, principalmente com o avanço das campanhas de conscientização e a maior divulgação de informações sobre saúde.
“A informação clareia, ilumina a mente daqueles que ouvem e faz com que as pessoas busquem o serviço para fazer sua avaliação de saúde”, afirmou.
Dr. João Batista destacou que os problemas de saúde mais frequentes entre os homens variam conforme a faixa etária. Entre os idosos, o médico chama atenção para as doenças crônico-degenerativas, especialmente o câncer de próstata.
“Na medida em que a gente envelhece, aumenta o risco do câncer prostático”, explicou.
Já entre os homens de meia-idade, as disfunções sexuais aparecem entre as principais queixas, incluindo alterações na ereção, no desejo, no orgasmo e na ejaculação. Na infância, o especialista cita as malformações genitais, como a fimose, além das infecções do trato urinário.
De acordo com o urologista, a recomendação da Sociedade Brasileira de Urologia é que os homens iniciem uma avaliação urológica anual a partir dos 45 anos. O médico também destacou a necessidade de atenção especial para grupos considerados de maior risco.
“Eu chamo a atenção especialmente para dois grupos: os homens negros afrodescendentes e aqueles que têm casos de câncer de próstata ou de mama na família”, afirmou.
O especialista explicou ainda que a avaliação médica deve ser individualizada e não começar simplesmente pela realização de exames.
Dr. João criticou o hábito de alguns pacientes de procurar o médico já com uma lista de exames prontos. Segundo ele, a consulta, a anamnese e o exame físico devem orientar a solicitação de exames complementares.
“Eu sempre digo aos meus pacientes: o início de qualquer avaliação de saúde começa por uma consulta. Médico não é pedidor, médico não é olhador de exame. O médico deve avaliar o paciente para só depois pedir os exames”, declarou.
O urologista também comentou sobre a possibilidade de avanços importantes no diagnóstico do câncer nos próximos anos, com exames de sangue capazes de identificar diferentes tipos da doença a partir da análise de fragmentos de DNA.
Um dos principais alertas feitos pelo médico foi em relação ao uso indiscriminado de testosterona por homens que buscam ganho de massa muscular ou melhora estética.
“Eu vejo com muita tristeza isso. Quem precisa deve utilizar. Quem não precisa não deve utilizar”, afirmou.
Segundo Dr. João, o uso de testosterona sem indicação médica pode provocar consequências graves, incluindo problemas cardiovasculares e infertilidade.
“Jovem que toma testosterona é um candidato a se tornar infértil, porque a testosterona exógena inibe a produção da testosterona endógena testicular”, explicou.
O médico também criticou produtos que prometem aumentar a testosterona por meio de vitaminas ou fórmulas naturais. Para ele, muitas dessas mensagens são baseadas em estratégias comerciais e podem induzir o consumidor ao erro.
“Esse interesse comercial tem prevalecido sobre a ciência e a nossa população tem comprado aquilo que é falado”, criticou.
O urologista reforçou que a prevenção e a busca por orientação médica são fundamentais para garantir mais qualidade de vida aos homens.
“A saúde é um grande patrimônio que nós temos. O resto é muito passageiro”, concluiu.