Especialista destaca sinais de alerta, orienta famílias e reforça o papel da escola na prevenção e no enfrentamento da violência entre adolescentes.
O bullying e o cyberbullying estão longe de serem simples brincadeiras entre adolescentes. As práticas, que configuram formas de violência, podem provocar consequências emocionais graves tanto para quem sofre as agressões quanto para quem as pratica. O alerta é da psicóloga clínica Bruna Luiza Pinheiro, mestre em Psicologia Social da Saúde.
Segundo a especialista, os efeitos para as vítimas podem comprometer significativamente a saúde mental e a qualidade de vida.
"O bullying e o cyberbullying não são brincadeiras. São atos de violência que podem trazer impactos tanto para quem é vítima quanto para quem pratica", destaca.
Bruna explica que as vítimas podem desenvolver medo, vergonha e baixa autoestima, fatores que favorecem o isolamento social, sintomas depressivos e dificuldades no cotidiano.
"Pra quem é vítima existe o medo, a vergonha, a baixa autoestima, que podem reverberar em isolamento, sintomas depressivos, dificuldades no sono e na concentração, levando, em casos extremos, a comportamentos de automutilação e pensamentos suicidas."

A psicóloga ressalta que os adolescentes responsáveis pelas agressões também necessitam de atenção. Embora devam responder pelos seus atos, é importante compreender que muitos também podem estar vivenciando situações de sofrimento.
"Não é uma tentativa de desresponsabilizar o adolescente que pratica a violência, nem de justificar esses atos. Mas de trazer uma explicação de que talvez esse adolescente também esteja em sofrimento, também esteja vivendo violência e, portanto, precise ser olhado e tratado com o mesmo cuidado."
Ela acrescenta que o comportamento agressivo pode fortalecer padrões de violência, dificultar o desenvolvimento da empatia e comprometer a forma como esses jovens lidam com conflitos.
Entre os principais indícios de que um adolescente pode estar sendo vítima de bullying ou cyberbullying estão a recusa repentina em frequentar a escola, queda no rendimento escolar, faltas frequentes, isolamento, tristeza e irritabilidade.
No ambiente digital, alguns comportamentos também merecem atenção.
"Medo ou angústia ao usar o celular, necessidade de apagar perfis constantemente, esconder as telas, evitar as redes sociais e alterações no sono e no apetite podem indicar que esse adolescente está em sofrimento."
Para Bruna Luiza, o primeiro passo é acolher o adolescente sem julgamentos. Ela orienta que os responsáveis escutem o relato com calma, demonstrem confiança e evitem qualquer tipo de culpabilização.
"É importante que os pais consigam ter uma escuta ativa, um acolhimento e, sobretudo, uma orientação."
A especialista recomenda que os jovens não respondam às agressões, mas guardem provas, como mensagens e capturas de tela, denunciem os perfis envolvidos e comuniquem formalmente a escola ou outros responsáveis. O acompanhamento psicológico também é indicado para ajudar na recuperação emocional.
Além do apoio familiar, Bruna destaca que as instituições de ensino têm papel fundamental na proteção dos estudantes. Segundo ela, é necessário agir rapidamente diante das denúncias.
"O papel da escola é proteger imediatamente a vítima. Por isso, é importante investigar os casos com o devido sigilo, registrar os episódios, conversar separadamente com os envolvidos e acompanhar o caso para impedir novas agressões."
A psicóloga reforça que o enfrentamento ao bullying deve ir além da punição dos envolvidos.
"A prevenção exige canais seguros de denúncia, regras bem definidas, parceria entre escola, família, comunidade e alunos, além da educação socioemocional, para promover não apenas punições pontuais, mas, sobretudo, conscientização."