07/08/2026
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Fibromialgia exige diagnóstico especializado e tratamento multidisciplinar, alerta reumatologista

Dor generalizada, fadiga constante, alterações no sono e impactos emocionais estão entre os principais sinais da síndrome, que ainda enfrenta preconceito e desinformação.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quarta-feira, 05 de agosto de 2026 às 06:00
Imagem de Fibromialgia exige diagnóstico especializado e tratamento multidisciplinar, alerta reumatologista

A fibromialgia ainda é cercada por mitos e preconceitos, o que dificulta o diagnóstico e o tratamento de milhares de pacientes. Segundo o reumatologista Dr. André Nakagaki, a síndrome dolorosa crônica não pode ser considerada "frescura" ou consequência exclusiva de fatores emocionais.

"A fibromialgia é uma doença muito séria, que pode impactar profundamente a qualidade de vida. Como não apresenta alterações nos exames, muitas pessoas acabam julgando o paciente, mas a dor é real", afirmou.

De acordo com o especialista, o principal sinal da doença é uma dor difusa, presente em praticamente todo o corpo, acompanhada de fadiga intensa, sono não reparador, ansiedade e depressão.

"É uma dor da cintura para cima, da cintura para baixo, do lado direito e do lado esquerdo. Não é uma dor localizada. O paciente dorme e acorda cansado, além de apresentar alterações de humor."

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Saúde emocional faz diferença no tratamento

Com 13 anos de experiência no atendimento de pacientes com fibromialgia, Dr. André destaca que aqueles que apresentam melhor evolução são justamente os que conseguem reduzir a sobrecarga emocional e promover mudanças no estilo de vida.

"O paciente que mais melhora é aquele que aprende a lidar com o estresse, melhora suas relações familiares, consigo mesmo e com o trabalho, sempre com apoio de uma equipe multidisciplinar", explicou.

O médico faz questão de esclarecer que a dor da fibromialgia não é causada por fatores emocionais, mas ressalta que ansiedade e depressão podem intensificar os sintomas.

"A dor não é emocional. Porém, quando o paciente está deprimido ou muito ansioso, essas condições potencializam a dor, porque utilizam áreas comuns do cérebro envolvidas no processamento da dor."

Espiritualidade pode ser uma aliada

Entre as recomendações mais recentes das diretrizes internacionais para o tratamento da fibromialgia está a valorização da espiritualidade como ferramenta complementar.

Segundo o reumatologista, a prática não está necessariamente ligada à religião, mas ao fortalecimento do propósito de vida, da resiliência e da capacidade de enfrentamento da doença.

"Para quem faz sentido, a espiritualidade pode contribuir para reduzir ansiedade, depressão e até a percepção da dor. Mas isso não significa que quem sofre tenha pouca fé. São coisas diferentes", ressaltou.

Diagnóstico depende da avaliação clínica

Ao contrário do que muitos imaginam, não existe exame de sangue ou de imagem capaz de confirmar a fibromialgia. O diagnóstico é feito por meio da avaliação clínica realizada por um reumatologista.

"A fibromialgia não aparece em exames laboratoriais nem de imagem. O diagnóstico depende de uma boa conversa, da escuta do paciente, do exame físico e da experiência do médico", explicou.

Ele orienta que pessoas com dores generalizadas persistentes por mais de três meses procurem atendimento especializado para investigação.

"Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores são os resultados. Nosso objetivo é reduzir a dor para que ela não impeça o paciente de viver com qualidade e manter sua funcionalidade."

Tratamento vai muito além dos medicamentos

O especialista reforça que a medicação representa apenas uma parte do tratamento. A estratégia mais eficaz envolve acompanhamento multiprofissional e mudanças de hábitos.

Entre os pilares do tratamento estão:

  • acompanhamento psicológico e psiquiátrico quando necessário;
  • prática regular e adaptada de atividade física;
  • alimentação equilibrada e controle do peso;
  • hidratação adequada;
  • promoção do autocuidado.

"O tratamento da fibromialgia é um convite ao autocuidado. Muitos pacientes cuidam de todos, menos de si mesmos. É preciso mudar essa realidade", destacou.

Segundo o médico, os exercícios devem ser adaptados à condição de cada paciente.

"Não é preciso começar fazendo uma hora de atividade. Se hoje você consegue fazer quinze ou vinte minutos, isso já é um começo. O importante é respeitar os limites do corpo sem abandonar o exercício."

Dr. André também reforça que não existe uma terapia capaz de eliminar completamente a dor, mas é possível reduzir significativamente os sintomas e devolver qualidade de vida ao paciente quando o tratamento é iniciado precocemente e seguido de forma adequada.

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