07/08/2026
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7 min de leitura

Câncer colorretal cresce entre jovens e reforça alerta para prevenção

Proctologista destaca que a colonoscopia pode identificar lesões antes mesmo de se tornarem câncer

Victória SilvaRedação: Victória Silva
segunda-feira, 03 de agosto de 2026 às 06:29
Imagem de Câncer colorretal cresce entre jovens e reforça alerta para prevenção

O câncer colorretal, conhecido popularmente como câncer de intestino, está entre os tipos de câncer que mais acometem e matam brasileiros. Além da alta incidência, um dado tem chamado a atenção dos especialistas: o crescimento dos casos em pessoas com menos de 50 anos. O alerta foi feito pela proctologista Dra. Gabriela Bagano, durante entrevista ao Jornal do Meio Dia.

Segundo a médica, o câncer colorretal já ocupa posição de destaque entre os tumores mais frequentes no país.

"O câncer colorretal no Brasil e no mundo é um dos três cânceres mais incidentes e um dos que mais mata. Hoje ele já é o segundo câncer mais frequente tanto em homens quanto em mulheres, ficando atrás apenas do câncer de próstata nos homens e do câncer de mama nas mulheres."

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Ela explica que, diferente do que se acreditava anos atrás, a doença não atinge apenas idosos.

"Há alguns anos era considerado um câncer que acometia pessoas acima dos 50 anos. Hoje estamos vendo um aumento importante de casos em indivíduos mais jovens, antes dos 50 anos. Isso torna ainda mais necessária a conscientização sobre a prevenção."

Diagnóstico precoce pode garantir mais de 90% de chance de cura

A especialista destaca que o câncer colorretal pode ser altamente curável quando identificado nas fases iniciais.

"Embora seja um dos cânceres que mais mata, quando diagnosticado no início a chance de cura ultrapassa 90%."

O grande aliado nesse processo é a colonoscopia, exame capaz de identificar não apenas tumores, mas também lesões pré-cancerígenas.

"A colonoscopia permite encontrar pólipos, que são lesões semelhantes a pequenas verrugas no intestino. Nós retiramos esses pólipos antes que eles se transformem em câncer. Esse é o grande trunfo do exame."

Colonoscopia passa a ser indicada a partir dos 45 anos

A médica explica que as diretrizes brasileiras mais recentes recomendam a realização da primeira colonoscopia em pessoas sem sintomas a partir dos 45 anos.

"Hoje, toda a população geral, homens e mulheres, mesmo sem sintomas, deve fazer uma primeira colonoscopia aos 45 anos para rastreamento do câncer de intestino."

Para quem possui histórico familiar, a investigação deve começar ainda mais cedo.

"Quem tem pai, mãe ou outro familiar próximo com câncer colorretal deve iniciar o rastreamento aos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o familiar recebeu o diagnóstico, o que ocorrer primeiro."

Alimentação e estilo de vida aumentam o risco da doença

A Dra. Gabriela ressalta que o câncer colorretal está fortemente associado aos hábitos de vida.

Entre os principais fatores de risco estão:

  • consumo excessivo de alimentos ultraprocessados e embutidos;
  • excesso de carne vermelha;
  • obesidade;
  • sedentarismo;
  • tabagismo;
  • consumo de bebidas alcoólicas.

"É um câncer totalmente relacionado ao estilo de vida. Melhorar a alimentação, praticar atividade física, evitar cigarro, bebida alcoólica e controlar o peso são formas importantes de prevenção."

Ela lembra que a recomendação é consumir no máximo 500 gramas de carne vermelha por semana e aumentar a ingestão de fibras.

"Uma alimentação rica em fibras protege a mucosa do intestino e ajuda na prevenção."

Sintomas não devem ser ignorados

Embora o objetivo seja descobrir a doença antes do surgimento de sintomas, alguns sinais exigem investigação imediata.

Entre eles estão:

  • sangue nas fezes;
  • alteração persistente do hábito intestinal;
  • prisão de ventre alternando com diarreia;
  • anemia sem causa aparente;
  • perda de peso inexplicada;
  • dor abdominal persistente.

"Quando o câncer começa a dar sintomas, muitas vezes ele já está maior. Por isso insistimos tanto no rastreamento."

A médica também chamou atenção para uma pesquisa recente que mostra que muitos brasileiros deixam de procurar atendimento mesmo percebendo sinais de alerta.

"Oito em cada dez brasileiros sabem identificar sinais de alarme do câncer de intestino, mas apenas cerca de 40% daqueles que tiveram sangramento nas fezes procuraram um médico. Muitas pessoas ainda negligenciam esses sintomas por vergonha ou tabu."

Tabu ainda afasta pacientes da colonoscopia

Segundo a proctologista, o medo da colonoscopia continua sendo um dos principais obstáculos para o diagnóstico precoce.

"Existe muito preconceito porque o exame é realizado pelo ânus. Também há medo da anestesia, mas hoje é um exame extremamente seguro."

Ela explica que o procedimento é feito sob sedação.

"O paciente dorme durante o exame, não sente dor, fica monitorado e normalmente recebe alta no mesmo dia. O preparo costuma ser a parte mais desconfortável, mas é essencial para que possamos visualizar bem o intestino."

Casos recentes mostram a importância da prevenção

A entrevista, a médica compartilhou exemplos de pacientes diagnosticados precocemente.

Uma mulher de 48 anos decidiu fazer a colonoscopia após acompanhar a luta da cantora Preta Gil contra o câncer colorretal.

"Ela não sentia absolutamente nada. Encontramos um câncer no cólon, fizemos uma cirurgia minimamente invasiva e, em cerca de 30 dias, ela estava curada."

Outro paciente, de 62 anos, realizou o exame apenas após insistência da filha.

"Ele também não apresentava sintomas. Descobrimos um câncer inicial, realizamos a cirurgia e hoje ele está curado, apenas em acompanhamento."

Exame de sangue oculto ajuda na triagem, mas não substitui a colonoscopia

A especialista explica que o exame de pesquisa de sangue oculto nas fezes é utilizado principalmente como estratégia de saúde pública.

"O teste serve para identificar pessoas com maior risco e direcioná-las para a colonoscopia. Mas, para quem tem acesso, a colonoscopia continua sendo o melhor exame para prevenção."

Dra. Gabriela deixou um recado sobre a importância da prevenção e da mudança de hábitos.

"Muito do medo vem da desinformação. Procurem um especialista, conversem, tirem suas dúvidas."

Ela também relembrou uma frase de um paciente que, segundo ela, resume a importância dos cuidados preventivos.

"Um paciente me disse uma vez: 'É mais fácil cuidar da saúde do que da doença'. Eu levo essa frase para a vida. Quanto antes diagnosticamos qualquer problema, mais simples é o tratamento e melhores são os resultados."

A médica reforçou que investir em alimentação saudável, atividade física e exames preventivos é a melhor estratégia para reduzir os casos da doença.

"O nosso estilo de vida moderno tem favorecido o aumento do câncer colorretal, principalmente entre os jovens. Precisamos cuidar da nossa saúde antes que a doença apareça."

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