Oncologista explica que não há evidências científicas de que as próteses de silicone aumentem o risco de câncer de mama
O aumento de alertas sobre uma possível relação entre próteses mamárias e câncer tem gerado dúvidas entre mulheres que já fizeram implante ou consideram a cirurgia. Em meio à circulação de informações imprecisas nas redes sociais, especialistas destacam a importância de diferenciar evidências científicas consolidadas de interpretações equivocadas.
A médica oncologista Anna Paloma Ribeiro, explica que, até o momento, não existem estudos que comprovem que o silicone aumente o risco de câncer de mama. Segundo ela, o objetivo é desmistificar o tema e orientar as pacientes sobre a importância do acompanhamento médico.
"A gente ainda não tem evidência de que o silicone aumente o risco do câncer de mama."
A especialista ressalta, porém, que há um tipo raro de linfoma que já foi associado aos implantes mamários, mas isso não significa que todas as mulheres com prótese precisem removê-la.
"Existe um tipo de câncer que já foi associado ao implante, que é um tipo de linfoma, mas ninguém precisa tirar a prótese por causa disso."
Segundo Dra. Anna Paloma, o principal cuidado deve ser manter o acompanhamento periódico com o mastologista. Ela explica que a presença da prótese pode dificultar a visualização de algumas áreas durante exames como a mamografia e a ultrassonografia, tornando necessária, em alguns casos, a realização de exames complementares.
"É importante estar sempre acompanhada pelo mastologista, porque a mamografia e a ultrassonografia podem ficar um pouco mais difíceis de avaliar por conta da prótese. Quando necessário, exames como a ressonância magnética ajudam nessa investigação."
Apesar dessa limitação, a oncologista reforça que a mamografia e a ultrassonografia continuam sendo fundamentais para o rastreamento do câncer de mama.
"A mamografia e o ultrassom são muito bons e imprescindíveis, mas algumas pacientes que usam prótese podem precisar de uma avaliação complementar."
A médica também destaca que mulheres com implantes devem seguir exatamente as mesmas recomendações de prevenção adotadas para a população em geral, respeitando a idade e os fatores de risco individuais.
"As mulheres que usam prótese precisam fazer o mesmo acompanhamento das demais mulheres. Não existe a necessidade de retirar o implante por medo do câncer."
Outro mito frequentemente divulgado é a necessidade de substituir obrigatoriamente a prótese após dez anos. Segundo Anna Paloma, essa decisão deve ser individualizada e baseada em avaliação médica.
"Nem toda prótese precisa ser trocada depois de dez anos. Cada caso deve ser avaliado pelo médico."
Para a oncologista, combater informações falsas é essencial para evitar que mulheres tomem decisões desnecessárias motivadas pelo medo.
"Não precisa ter medo porque tem prótese. Não precisa retirar nem trocar o implante. O mais importante é manter o acompanhamento médico e realizar os exames indicados."
A especialista reforça a principal mensagem.
"É importante desmistificar esse assunto. Não há evidência de aumento do risco de câncer de mama pelo uso do silicone. Informação de qualidade e acompanhamento médico são os melhores aliados da prevenção."