07/08/2026
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De Olho na Cidade
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Entenda o que é a cetoacidose diabética, complicação que pode ter levado Edson Gomes à UTI

Cantor está internado em uma UTI de hospital particular em Feira de Santana após passar mal durante viagem; endocrinologista explica gravidade da complicação do diabetes

Victória SilvaRedação: Victória Silva
segunda-feira, 03 de agosto de 2026 às 21:55
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O estado de saúde do cantor Edson Gomes, internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular em Feira de Santana, acendeu um alerta sobre uma das complicações mais graves do diabetes: a cetoacidose diabética.

Segundo apuração do De Olho na Cidade, o artista, que é diabético, passou mal após realizar um show em Salvador. Durante o trajeto de retorno para casa, procurou atendimento médico em Feira de Santana, onde foi internado nas primeiras horas desta terça-feira. A suspeita é de que ele tenha desenvolvido um quadro de cetoacidose diabética.

A endocrinologista Dra. Ana Mayra Andrade explicou que a cetoacidose é uma complicação aguda provocada pela deficiência de insulina no organismo.

"O diabetes é uma doença crônica que cursa com glicemia elevada no sangue. O paciente pode desenvolver algumas complicações agudas, como a hipoglicemia ou elevações muito importantes da glicemia, podendo chegar a um quadro de cetoacidose diabética", explicou.

Ela detalhou que, quando há falta de insulina, o organismo deixa de utilizar corretamente a glicose como fonte de energia e passa a quebrar gordura, produzindo substâncias ácidas chamadas corpos cetônicos.

"A insulina não consegue realizar seu trabalho, a glicose sobe bastante e ocorre uma quebra de gordura, chamada lipólise. Essa gordura é transformada no fígado em ácidos. Por isso chamamos de cetoacidose diabética."

A médica ressaltou que o quadro normalmente não acontece de maneira repentina e apresenta sinais de alerta que não devem ser ignorados.

"O paciente já vem apresentando um estado de hiperglicemia. Ele sente muita moleza, indisposição e, em casos mais avançados, pode apresentar hálito com cheiro de acetona ou maçã podre."

Outros sintomas incluem falta de ar, desidratação intensa, alterações do nível de consciência e, nos casos mais graves, coma.

"É uma urgência. Sempre que temos um quadro de cetoacidose, o indivíduo precisa ser tratado em ambiente hospitalar e, na grande maioria das vezes, em uma unidade de terapia intensiva."

De acordo com a endocrinologista, o principal fator para evitar esse tipo de complicação é manter o diabetes controlado por meio de acompanhamento médico e monitoramento frequente da glicemia.

"Aquele indivíduo que acompanha sua glicemia continuamente raramente desenvolve um quadro agudo de cetoacidose."

Ela alerta que situações como infecções ou períodos de estresse podem aumentar a necessidade de insulina no organismo.

"Em caso de qualquer processo de estresse, seja infeccioso ou emocional, o paciente deve comunicar ao médico assistente para que sejam tomadas as devidas precauções e se evite que ele chegue a esse nível."

Além da desidratação, a cetoacidose provoca alterações importantes nos eletrólitos do organismo, podendo comprometer o funcionamento do coração.

"O paciente perde eletrólitos importantes. Esses distúrbios podem determinar arritmias cardíacas e outras alterações."

Embora o quadro possa evoluir para óbito quando não tratado, a especialista destaca que, atualmente, a assistência médica permite bons resultados quando o diagnóstico é feito rapidamente.

"Uma cetoacidose pode levar o indivíduo a óbito, infelizmente pode. Mas hoje temos uma assistência muito boa e, quando o paciente é tratado adequadamente, a evolução costuma ser favorável."

Segundo a médica, o tratamento consiste em hidratação venosa, reposição dos eletrólitos perdidos e administração de insulina, além da investigação da causa que desencadeou o quadro.

"Cada paciente tem uma necessidade específica, mas o tratamento envolve hidratação venosa, correção dos distúrbios eletrolíticos e insulinização."

Após a estabilização, o paciente passa por uma reavaliação do controle do diabetes, recebendo orientações sobre alimentação, uso correto da insulina e monitoramento domiciliar da glicemia.

Dra. Ana Mayra reforçou que a prevenção depende principalmente do acompanhamento regular da doença.

"O diabetes muitas vezes permanece com o açúcar elevado durante muito tempo sem causar sintomas. Se o paciente não estiver monitorando a glicemia e acompanhando a doença, pode ser surpreendido por um quadro agudo como esse."

Ela concluiu destacando a importância da informação para conscientizar outros pacientes.

"A informação é sempre muito importante, porque ajuda outras pessoas a não chegarem a esse quadro."

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