Tricologista Luciana Lago explica que traumas, luto, estresse e conflitos emocionais podem desencadear alterações na saúde capilar.
A relação entre saúde emocional e queda de cabelo foi tema da entrevista concedida pela tricologista Luciana Lago no programa Jornal do Meio Dia da Rádio Princesa FM. Segundo a especialista, muitos casos de perda capilar não podem ser explicados apenas por fatores biológicos, sendo necessário investigar também aspectos emocionais e comportamentais.
Ela explicou que há mais de cinco anos desenvolve um trabalho baseado na tricologia emocional e sistêmica, abordagem que ganhou maior visibilidade após um vídeo publicado nas redes sociais alcançar repercussão internacional.
"O cabelo realmente é uma antena do corpo, uma antena da alma. Muita gente trata apenas a parte biológica, quando, na verdade, antes do corpo adoecer, a alma já adoeceu."
Entre os fatores mais frequentes associados ao problema estão perdas, luto, separações, dificuldades financeiras, estresse prolongado e privação do sono.
"As perdas, os conflitos, o estresse, a ausência do sono profundo e até a insatisfação consigo mesmo interferem diretamente na saúde do cabelo."
Segundo a especialista, quando a queda intensa aparece, normalmente o organismo já apresenta um desequilíbrio instalado há bastante tempo.
"Quando o cabelo começa a cair, geralmente já estamos diante de um estágio crônico de desequilíbrio. Não é um problema de hoje para amanhã."
Luciana afirma que o organismo costuma emitir diversos sinais antes do aparecimento da queda capilar.
Entre eles estão ganho de peso, alterações no sono, desejo excessivo por doces, procrastinação e sintomas de inflamação corporal.
"O corpo vai dando sinais. O cabelo é apenas uma das formas de mostrar que existe algo que precisa ser cuidado."
A tricologista explicou que exames laboratoriais frequentemente apontam alterações como ferritina baixa, disfunções na tireoide, cortisol elevado e deficiências nutricionais.
No entanto, ela ressalta que identificar apenas essas alterações não resolve completamente o problema.
"A questão não é apenas saber que existe um déficit. É entender por que o corpo chegou a esse ponto e trabalhar a verdadeira origem do problema."
Luciana também esclareceu alguns dos mitos mais comuns relacionados à queda de cabelo.
Segundo ela, cortar os fios não interrompe a queda e reduzir a frequência de lavagem também não evita o problema.
"Quanto mais a pessoa lava, mais percebe os fios que naturalmente já cairiam. Isso não significa que a lavagem esteja causando a queda."
Ela também alertou contra receitas caseiras e tratamentos milagrosos.
"O tratamento precisa acontecer de dentro para fora. Se o organismo não estiver equilibrado, a pessoa vai gastar tempo, dinheiro e produtos sem obter resultado satisfatório."
Para a especialista, acolher o paciente e compreender sua história é parte essencial do tratamento.
"O primeiro passo não é a culpa, é o acolhimento. O sintoma é uma mensagem do corpo dizendo que algo precisa ser cuidado."