Partido afirma que uma terceira pessoa teria usado os dados do senador para confirmar a filiação e também tentado acessar o aplicativo de militância da legenda
O partido Missão afirma ter identificado registros que, segundo a legenda, apontam para o acesso ao e-mail do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no momento em que uma filiação ao partido foi confirmada. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (13) pelo candidato da sigla à Presidência da República, Renan Santos.
De acordo com Renan, os registros tecnológicos indicariam que a mesma pessoa responsável pelo acesso ao e-mail também tentou entrar no aplicativo de militância do Missão. O candidato afirmou que a legenda pretende colaborar com as investigações para descobrir quem realizou as ações.
A situação veio à tona após Flávio Bolsonaro enfrentar dificuldades para formalizar sua candidatura à Presidência pelo PL. Embora tenha sido escolhido oficialmente pelo partido no fim de julho, o senador aparece nos sistemas da Justiça Eleitoral como filiado ao Missão.
A legenda nega que tenha promovido a filiação de maneira autorizada pelo parlamentar. Em um relatório produzido pela área de tecnologia, o Missão classificou o procedimento como uma ação atribuída a um terceiro não identificado, que teria utilizado os dados de Flávio sem autorização.
O documento também aponta informações consideradas suspeitas no cadastro, entre elas um endereço fictício no Rio de Janeiro. Segundo o partido, os dados inseridos no sistema foram posteriormente encaminhados ao banco de informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em declaração à imprensa, Renan Santos afirmou que alguém teria se passado pelo senador para concluir o procedimento. Ele também disse que o gabinete de Flávio Bolsonaro foi informado sobre o ocorrido.
O candidato do Missão descartou a possibilidade de o episódio ter sido apenas uma falha interna da legenda e afirmou que o partido pretende ajudar na identificação do responsável. Renan também declarou que Flávio não é bem-vindo na sigla e classificou o episódio como uma ofensa ao partido.
O caso ocorre em um momento decisivo do calendário eleitoral, já que a situação partidária de Flávio Bolsonaro precisa ser regularizada para que o registro de sua candidatura pelo PL seja concluído.