06/08/2026
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PF conclui investigação e indicia 16 pessoas por acidente aéreo da Voepass que deixou 62 mortos

Relatório aponta falhas na manutenção, omissão de registros técnicos e erros operacionais da tripulação como fatores determinantes para a queda da aeronave em Vinhedo.

Victória SilvaRedação: Victória Silva
quinta-feira, 06 de agosto de 2026 às 17:11
Imagem de PF conclui investigação e indicia 16 pessoas por acidente aéreo da Voepass que deixou 62 mortos
Foto: SSP-SP/Divulgação

A Polícia Federal finalizou a investigação sobre o acidente com o avião ATR 72-500 da Voepass, ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, no interior de São Paulo, e indiciou 16 pessoas ligadas à companhia aérea. Entre elas estão o proprietário da empresa, José Luis Felicio, e o diretor de manutenção, Eric Cônsoli. Os investigados poderão responder pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo.

De acordo com a conclusão do inquérito, o desastre foi causado pela perda de sustentação da aeronave após a formação de gelo nas asas. A Polícia Federal aponta que o sistema responsável pelo degelo apresentava falhas e que a situação foi agravada porque os pilotos não seguiram os protocolos previstos para esse tipo de ocorrência.

A perícia realizada pelo Instituto Nacional de Criminalística revelou que o equipamento já apresentava defeitos antes da decolagem. No entanto, esses problemas não eram registrados oficialmente nos documentos da aeronave nem comunicados ao setor de manutenção. Os investigadores identificaram ainda uma prática recorrente de deixar de formalizar falhas técnicas, comprometendo o controle sobre as condições de operação da frota.

Outro ponto destacado no relatório é que, durante o voo, a aeronave emitiu três alertas relacionados à perda de desempenho. Conforme a investigação, a tripulação não executou as medidas operacionais recomendadas, nem solicitou alteração de altitude, procedimento que poderia minimizar os efeitos do congelamento.

Com o encerramento da apuração, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público Federal, responsável por avaliar se apresentará denúncia à Justiça. Caso isso ocorra e a acusação seja aceita, será aberta uma ação penal para definir a responsabilidade criminal dos envolvidos.

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