Manifesto assinado pelos chefes regionais reforça independência das investigações e ocorre após divergências sobre o andamento do caso envolvendo o INSS
Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram nesta quinta-feira (6) uma manifestação conjunta em defesa da independência da instituição e da condução técnica dos trabalhos investigativos. O posicionamento ocorre em um momento de tensão entre a corporação e o Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo procedimentos relacionados ao chamado “caso INSS”.
No comunicado, os dirigentes afirmaram que a atuação da Polícia Federal deve seguir princípios constitucionais, critérios legais e análise baseada em provas. Segundo os superintendentes, a confiança da população na instituição foi construída a partir de investigações conduzidas sem influência de interesses externos.
A nota também destacou apoio à Direção-Geral da PF e afirmou que os servidores da corporação devem atuar de forma imparcial, seguindo exclusivamente os elementos obtidos durante as apurações.
“A atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”, diz um trecho do documento.
O conflito entre a Polícia Federal e o STF ganhou destaque após a abertura de novas linhas de investigação envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em suspeitas relacionadas a contratos da Dataprev e do Ministério da Saúde.
O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo, solicitou informações sobre procedimentos adotados pela PF e questionou o ritmo das diligências. A corporação, por outro lado, declarou que todas as etapas seguem critérios técnicos e negou qualquer irregularidade na condução do trabalho.
A Polícia Federal também demonstrou preocupação com decisões que, na avaliação da instituição, poderiam limitar o acesso e o compartilhamento de informações dentro da própria estrutura hierárquica da corporação. Diante do impasse, a PF recorreu à Advocacia-Geral da União (AGU) para analisar as medidas tomadas pelo gabinete do ministro.
No manifesto, os superintendentes reconheceram que questionamentos e críticas fazem parte do funcionamento democrático, mas ressaltaram que ataques à imagem da instituição podem comprometer a relação de confiança construída com a sociedade.
Os dirigentes reforçaram que a autonomia investigativa é considerada fundamental para garantir que os processos sejam conduzidos com base em fatos, documentos e procedimentos previstos na legislação.